Não Existe

Foi na encruzilhada de palavras
Que encontramos o inesperado:
O longe, tornou-se perto,
O não, tornou-se sim,
E o impossível foi possibilidade!
No início, palavras corriam soltas,
Significados planando ao vento,
Saltitando entre frases leves que se ficavam
Quando só o silêncio chegava.
Mas a poesia faz-se,
Torna-se ideias e sentidos,
Capta olhares, interpretações
E despe-se aos corações, poetas eles também.
Poesia e prosa,
Céu e mar em crepúsculo,
Que se amam no anoitecer,
Na entrega do lápis ao papel!
Entregar-me-ia eu a ti,
Se nas palavras só o amor me basta,
Se só o simples me agrada?
Se me amas, ama-me escrita eu,
Escrita em palavras tuas:
Na escrita, o impossível não existe...
Parto na manhã ainda pequena, quando o ar arrepia-se de frio e o orvalho mal começa a derreter-se nas ervas adormecidas. Na hora jovem os telhados húmidos ainda estão despidos de pássaros, e nas estradas vazias só os primeiros raios de sol tocam o gélido alcatrão, pintando-o de reflexos cor de fogo. Conduzo em direção ao nascente, um mar azul, frio, de águas paradas, a acompanhar-me na viagem. O vento desperta com o dia que nasce. Vejo-o ondular as ervas secas das dunas imóveis, e roçar as árvores que, como sentinelas, olham firmes a marginal. O vento não tem som, são as árvores que cantam quando o vento passa por elas e acaricia-lhes as folhas, as primeiras da estação. Pelos campos, já vastas extensões floridas pintam a paisagem de amarelo e lilás, flores ainda tímidas no raiar do dia, na primavera que se mostra aos poucos. Tu não estás aqui. Gostarias deste lugar? Escreverias tu sobre o mar e as dunas, as árvores e o campo, as estradas e a manhã, 


