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Sílabas à Solta

POESIA | PROSA POÉTICA

Sílabas à Solta

POESIA | PROSA POÉTICA

Tu e Mar, Um Só!

27.07.22 | Sandra

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Se eu pudesse levava-te um pedaço de mar. Não um mar qualquer, mas aquele mar que é cada traço da palma da tua mão.

E é teu esse mar, essas praias que vezes sem conta percorreste. É teu e só teu, de hoje em diante, para sempre. Nele és rei, dele és rei. E não só dele: do sol enorme a emergir no horizonte, na hora do despertar do Mundo e de todos os mundos; do areal ainda sem pegadas, que desperta também, porque é hora; das gaivotas reunidas num bando silencioso, e das ondas que se exibem ora com estrondo, ora suavemente, como carícias no teu cabelo feito espuma macia do mar.

Também são tuas as rochas disformes cheias de vida nas suas poças de água transparente, os polvos que nelas se escondem, os caranguejos que os alimentam e as algas que os encobrem. São tuas as pedrinhas redondas e as conchas vazias na zona da rebentação, onde sempre chegam aos teus pés as fábulas de piratas, sereias, navios-fantasma, seres gigantes que deslizam no fundo oceânico, e os cânticos exóticos de lugares que nunca viste.

São também teus os verões que alegram com os seus perfumes e sons as tuas praias, são teus os reflexos do sol no mar do meio-dia, que se enche de risos e brincadeiras de crianças, e são tuas as noites gigantes que o mar espelha na perfeição quando a lua se faz nova, Júpiter se senta por perto, e as Delta Aquáridas brincam entre estrelas e planetas no céu imenso. Uma, duas, três... um desejo silencioso e sincero!

Se eu pudesse levava-te um pedaço de mar, mas talvez o mar já esteja em ti, talvez sejas tu o mar que te maravilha, desafia e completa, como oração e fé. És vida assim, liberdade, expansão, alegria, saúde e força, paz imensa. Recomeço e reencontro. Pureza. Eu levava-te um pedaço de mar, se pudesse, mas agora sei que não é necessário. Agora eu compreendo! Gosto muito de Ti e tu és o meu mar.

Ah... boa pesca! Apanha-os todos!

Talvez?

17.07.22 | Sandra

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Quem sabe? Talvez num dia quente de verão, cheio de luz dourada tombada por todos os lados ao mesmo tempo, eu me cruze contigo?

Quem sabe? Talvez nesse instante, no abafar da hora alta da tarde, tu me olhes nos olhos e, num reconhecimento caído entre nós (como cai abruptamente a trovoada seca no auge da mudança da estação), quem sabe, talvez pares o teu caminhar e olhando para mim digas em voz alta o meu nome?

Quem sabe? Talvez eu diga em voz alta o teu e, no devido entretanto, segundos se tornem horas, o nosso sentir deixe de precisar do tempo do mundo, e um beijo que se troque seja todo ele o tom escuro dos teus olhos feito céu cheio dos reflexos do sol, e de um desejo quente que se confirma entre nós?

E quem sabe? Talvez na luz macia da lua já minguante, e sob as estrelas que criam constelações, o  meu corpo se torne caminho para ti, as brumas finalmente deixem de estar dentro de nós e se tornem leves lençóis que nos tapam, quando algo bom e poderoso torna os nossos corpos um só?

Quem sabe? Talvez daí em diante o teu nome passe a ser soletrado vagarosamente pelas ruas da minha pele que anseia a proximidade da tua, e que é um mapa astral cheio de planetas, luas, conjunções e linhas divisórias imaginárias? E talvez algo há muito decidido sabe-se lá por quem, se cumpra enfim? Quem sabe?

Deus te abençoe!

07.07.22 | Sandra

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E todo o amor cai repentinamente em mim. Sempre cá esteve, esse amor - nunca, não duvides nunca disso! - mas agora é finalmente todo aberto ao teu coração, por inteiro, tu que tens um coração risonho, maior que tu, maior que o próprio tempo, maior que a palavra Amor, ou o meu egoísmo.

Ah se eu tivesse crescido o suficiente para te ter mostrado sempre o quanto esse sentimento é real! Mas eu nada sabia, nada para além dos erros que não deviam caber no teu caminho, e que foram lá colocados por mim. Afinal és, tens sido, sempre foste, és o melhor de nós, o melhor de tudo e em tudo!

Mas sabes? Ainda há tempo. Ainda... e que seja esse tempo um tempo longo, feito do passar das estações do ano, sol, aconchegos, alegrias e vitórias - mereces cada uma, todas elas. Mereces tudo o que de bom possa existir, tudo de bom! Ah pudesse eu...!

Que cada dia que traga a tua presença na minha vida seja um dia abençoado para ti, porque afortunada já eu sou por seres a grandeza que és! Com os teus olhos castanho-terra sorris ao mundo, céu e mar; e no fundo, deveria ser o mundo a render-se a esses teus olhos castanho-terra, e a sorrir-te, movendo ele próprio céus e mares por ti...

Já agora... Não falhaste. Tu não falhas, nunca! Falhar como? Se és amor puro? Só eu é que andei sempre perdida por caminhos que eu própria escolhia e que me afastavam de ti, de mim. De ti, quando eu devia aproximar-me mais, finalmente.

Mas vendo bem, sim, talvez tivesses falhado numa coisa: deverias ter sido sempre mais focado em ti do que nos outros, em dar mais a ti próprio, em ser mais para ti, em teres dito mais vezes "Não!" aos outros. Mas o teu coração imenso jamais o teria permitido, não é assim? 

Mas ainda há tempo. Ainda há, que Deus é grande demais, e tu és simplesmente fenomenal! Deus te abençoe! Deus te abençoe... és fantástico!

E sim, milagres acontecem, de verdade! Ah, se acontecem!

Entre Nós

03.07.22 | Sandra

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A noite enchia-se de vida. Quando os passos das pessoas distantes se calavam ao rodar das estrelas no firmamento, já a noite fazia brilhar as enormes folhas das plantas primitivas, e explodiam os perfumes doces das flores sossegadas ao acordar noturno das palavras. As árvores preenchiam o silêncio dos caminhos, e focos de luz atravessavam espaços onde seres poéticos olhavam o calor que descia sob o teu beijo em mim. Era quando constelações se refletiam nas águas límpidas e paradas do lago negro, onde nenúfares se balançavam no ondular das tuas mãos nas minhas. E os cisnes passavam quando o amor se cumpria por inteiro entre nós.