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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

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COISAS DE GATO II

03.11.20 | Sandra

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Era um gato único. O tempo que passei com ele foi suficiente para ver de que moldes era feito. Conquistou-me. Daí, um dia apanhei-o desprevenido, agarrei nele com as duas mãos e atirei-o sem piedade para dentro do meu blog. Falei dele em:

 https://cronicassilabasasolta.blogs.sapo.pt/coisas-de-gato-28851

Hoje trago-o aqui de novo...

Havia um gato. Na altura, em que o vi pela primeira vez, destacou-se a sua personalidade muito própria. Senhor do seu nariz, cumpria ele o papel de Dono da casa, como se tudo fosse seu: paredes, mobílias, decoração e o próprio ar que ali se respirava. De tudo se considerava dono: os reais donos do edifício passado de geração em geração, os visitantes, outros bichos que lá habitavam, sonhos, conversas, ideias e até o fantasma da casa. De tudo, ele era Dono e Senhor.

Por algum tempo deixei de ver esse nobre felino. Encontrei-o uns tempos depois, ao regressar a esse lugar para cumprir nova visita aquela minha família. Reconheci-o logo, esse gato sem igual. Olhou-me do alto da sua pequenez, soltou um miado enfadonho e virou-me costas, não sem antes mirar-me de alto a baixo. Agora costumava ficar deitado na mesa de pedra do quintal, ao lado do limoeiro. Cismava horas sem fim. Fazia-lhe confusão as confusões que Trump criava lá longe. Tal como lhe fazia transtorno este vírus tão poderoso, cá perto. O sol torrava-lhe o pêlo e ele, macambúzio, dali controlava as horas e a passagem das tendências da moda, os golpes políticos, as reviravoltas desportivas e a ficção nacional.

Costumava impor um ar sinistro a quem o mirava. Pensava assim aparentar um ar mais aristocrático e ter direito a melhor e mais quantidade de comida às horas das refeições. Porque até esse momento era pautado por um exacerbado gesto de desgosto! Nada era do seu agrado. Ignorava o seu prato e ruminava a sua fúria. E ruminava também a sua fome, pois assim que as pessoas desapareciam de vista, também a comida desaparecia rapidamente do seu prato.

Era um gato que nunca deu parte fraca e que, segundo ele, merecia uma cadeira na Assembleia da República. Grandes mudanças haveria de operar! E pensando em todas as propostas a apresentar em possíveis futuras reuniões, adormecia, escolhendo mentalmente quais os melhores partidos a ter do seu lado. Mas enquanto dormia, já nada disso interessava... sonhava com países que tencionava visitar, que espetáculos iria assistir, e com aquela gata da casa ao lado que tinha um ronronar tão sexy...

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