Hoje, abraço-te. Abraço-te num abraço sem planalto nem cansaço, Flores soltas, Beijos carregados na euforia de um regaço Onde pousam conjugações já nossas. Abraço-te, Na certeza de que fazes parte das sílabas que solto na escrita, Numa equação voraz de vontades (...)
Chego pronta para ti, cheia das minhas certezas e resoluções. Recebe-me no infinito silêncio das horas sem fundamento. Deixa que o meu olhar se firme no escuro absoluto no teu, e que todas as palavras-chave não ditas desmoronem sobre nós. Poderemos então trilhar (...)
Chegaste um dia (há tantos anos!) e tenho hoje a certeza de que és tu quem faz parte dos sonhos que tenho antes de adormecer. Talvez já o tivesse pressentido daquela vez em que caminhamos sem pressa pelo areal selvagem desse Guincho, que é como se fosse teu; ou no (...)
No acordar vagaroso do dia, quando as horas ensonadas permanecem ainda deitadas na friagem da manhã virgem, vejo-te chegar, olhar pleno, astuto, cabelo sem rumo a lembrar o mar impulsivo em dias de temporal. Abraças-me num momento cheio de cores e arabescos, onde divaga (...)
Desço sem pressa a rampa em direção ao jardim, entre as pedras da calçada afogueadas no calor inusitado da manhã, e o alcatrão preguiçoso que pasma obtuso para o cheiro a sardinha assada. Tenho postos em mim os olhares dos pombos e das rolas, que parecem trovadores (...)
Há muito que a noite quente tinha enchido de estrelas e poesia a superfície lisa do lago. Quando os ponteiros do relógio marcaram a hora certa, traças voaram como folhas de árvore ao sabor da brisa morna, e eu soube que estarias lá à minha espera. Era como algo (...)
Uma imensa paz. O sol doce de fim de tarde já se desfez todo no ondular salgado das águas mornas, que nos conhecem tão bem. É esta a nossa hora secreta. Pousa a tua mão na minha e conduz-me onde sabes que quero ir. Leva-me ao nosso momento feito de oeste e de maré cheia. (...)
O sol cai promíscuo de todo o lado ao mesmo tempo. Somos peregrinos neste momento de encontro e reencontro, celebrado pelo zumbido dos insetos que se escondem na erva seca do verão. Não tenhamos pressa. Vamos os dois na manhã que começa? Os dias ainda são promessas, (...)
O teu olhar de mistério há muito que arrebatou as certezas onde eu me escondia, e agora já não sei caminhar por ti sem me perder no sentido de tudo o que és! E tantas vezes caminho submissa pelo caminho que tem o teu nome, sem precisar de mapas ou bússolas para te (...)
Lusco-fusco. O dourado e o azul. O brilho das luzes que veste o crepúsculo, quando o dia diz o último adeus e parte devagar para longe, até ser hora de regressar novamente. Na última troca de olhares entre o dia que se afasta e a noite que vem, já se pressentem as (...)