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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Sílabas à Solta

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ABERTO MISTÉRIO

21.12.20 | Sandra

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Em cruas noites, naquele antigo clube de boémias gentes e velhos hábitos, o tempo faz-se sempre novo e eu sou cada vez mais eu, alma pura a descoberto! Em mesas cheias, pousam os fumos, cheiros, gargalhadas, olhares indiscretos! À fraca luz, és o som que pousa na minha pele, em subtilezas que me provocam. Foi sempre assim...

Sorrio-te, sentada à mesa... sorriso discreto, maroto, na direção de promessas ditadas vindas de acordes esses, os teus! Tocas-me de longe, dono do palco, olhos fixos na certeza de que a música é só o nosso princípio... e o de tantos clientes assíduos que ali esquecem horas. Cedo aos caprichos teus, embalo lentamente o corpo na cadência da música que me devolves como beijos que se trocam!

E quando o ar se adensa sob o colorido das luzes, na loucura das notas que caem no frenesim, já o desejo consome, já o jazz tudo arrebata. Nada de novo, para aquelas velhas paredes. O desfecho é já por demais conhecido: o tempo irá vadiar pelas esquinas perdidas, o café ficará vazio de tanto e de tudo, as portas fechar-se-ão. E lá fora, os plátanos continuarão o seu doce dormir no nevoeiro que os veste, alheios ao amor que se cumpre em portas fechadas, quando a noite é ainda aberto mistério.

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