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Sílabas à Solta

POESIA | PROSA POÉTICA

Sílabas à Solta

POESIA | PROSA POÉTICA

Ao Amor

07.10.20 | Sandra

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Eu sei que és fera na noite que há muito me persegue e ronda, na clareira aberta à lua em forma de foice!

Pressinto-te perto. Sinto-te sem te ver, escuto-te a voz sem te encontrar, cheiro-te sem te vislumbrar. És perigo certo. Com passos cautelosos, respiração pausada, olhar focado em mim, fechas círculos à minha volta.

Escondido, sem movimentos em falso nem gestos desnecessários, rondas-me sempre, pé ante pé, na respiração do silêncio escuro.

A lua tua cúmplice encobre-te, e eu permaneço fraca, desamparada. O meu corpo gira rápido perscrutando sombras suspeitas, estalidos, cheiros, presenças! O medo quer fazer-se meu dono, apoderar-se de mim, ali sozinha, indefesa, respiração ofegante, sem ter como escapar nem me poder esconder de ti... porque eu não posso?

Ah! Ingenuidade a tua! Porque EU não quero!

Pobre de ti, perigosa fera, descuido tão grande, o teu! Tanto zelo para nada! Estás perdido desde o primeiro início! O jogo não é esse...

A tua caçada falhou, porque a presa és tu afinal, e sou eu quem te caça, a ti! Caíste na armadilha! És meu!

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