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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Sílabas à Solta

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ARMADILHA AO TEMPO

07.10.20 | Sandra

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Eu sei que és fera
que há muito me ronda!
Círculos cerrados
que se fecham devagar,
no silêncio escondido
em escuro recanto.
Pressinto-te perto...
Passos cautelosos,
respiração pausada,
olhar focado em mim.
Sem distrações ou desvelos,
sem movimentos em falso,
sem gestos desnecessários.
Rondas-me sempre,
pé ante pé,
em circulos perfeitos
à espera da hora!
És perigo certo,
discreto,
entre a tua lua cúmplice
(que te encobre os gestos)
e eu fraca, desamparada.
Sinto-te, sem te ver
Escuto-te, sem te encontrar
Cheiro-te, sem te vislumbrar
E eu desarmada...
O meu corpo gira rápido
perscrutando sombras
que me parecem suspeitas.
O medo, meu dono...
Eu ali sozinha,
indefesa,
respiração ofegante,
sem ter como escapar,
sem me poder esconder...

Porque não posso? Porque eu não quero!

Ingenuidade a tua...
Pobre de ti, perigosa fera,
descuido tão grande o teu!
Tanto zelo para nada!
Estás perdido
desde o primeiro início!
O jogo não é esse...
a tua caçada falhou!
Porque a presa és só tu
e sou eu quem te caça.
Caíste na armadilha!

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