Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

ECOS TEUS

14.08.20 | Sandra

dead-tree-2267030_1920.jpg

As nuvens passam rápido, arrastadas por um vento furioso, que parece rugir por entre as árvores. Não me atrevo a abrir a janela, pois sei que lá fora está frio e eu acabei de sair do banho. Olho, sem ver, a rua. Toca aquela música que tanto gosto e faz-me lembrar de ti. Imagino-te no conforto tranquilo do teu lar, nesse Guincho tão intenso como tu, cheio de histórias e memórias, que é todo só teu. Deves estar neste momento vagueando pelo teu iPhone, entre cigarrilhas e o teu gin, indiferente ao vento frio lá fora. Sei que o calor que és tu a ti te basta. E hoje é o teu aniversário... 14 de Agosto.
Eu queria calor. Não era preciso ser da luz do sol nem da minha manta de lã aos quadrados. Queria aquecer-me na tua alma, nas tuas divagações, observações mordazes e interrogações. A tua alma tão humanamente linda e irónica. Enfim, as coisas são como têm que ser e, não o podendo fazer de outra forma, aqueço-me com um café. Toca agora uma música que nunca ouvi antes. Não é má de todo e deixo-me embalar pela sua cadência. Podia dançá-la contigo. Um dia...

A música acaba e entro naquele estado de "não me apetece fazer mais nada hoje". Espreito à janela onde duas mulheres, carregando um monte de sacos, estão a falar há horas imunes ao vento forte. Dizem que quando o vento sopra com tamanha força é sinal de muito calor nos dias seguintes. Vou começar a estar mais atenta para ver se é verdade!
As senhoras faladoras olham na direção da minha janela exatamente no momento em que deslizo as cortinas. Vou deitar-me no sofá. Ligo a televisão para assistir ao programa de entretenimento da tarde, tapo-me com a manta e espero serena pelo sono. Pode ser que assim não pense tanto em ti e não fique tanto tempo a lembrar o que foi. Faz falta mais humanidade, compreensão, dar a mão em vez de apontar o dedo, ajudar em vez de criticar. O benefício da dúvida.Tu nunca te achaste o dono da verdade, nunca tiveste essa arrogância. O programa da tarde continua. O sono chega. Hora da sesta.

 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.