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Sílabas à Solta

Prosa poética | Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria | Fotos retiradas da internet.

Sílabas à Solta

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15.01.21 | Sílabas à Solta

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Tens pairado por aqui e por ali, alheia aos perfumes das gentes, aos cães que correm rua abaixo, aos comboios que sonham em cima do silêncio dos carris. Conversaste com todas as flores do campo e dormitaste no jardim bem cuidado. Viste a manhã chegar sobre os casebres dos caseiros e sentiste o aroma do musgo que cobria a água negra dos antigos tanques de lavar roupa. Certa manhã morna, viste o teu reflexo numa poça de água que ficou depois da chuva caída durante a noite e quiseste saber o teu nome. Borboletas, há muitas...!

Tinha que haver muito mais para além do voar ao capricho do vento quente e seco. Tinha que haver mais do que o uivo dos cães e o toque do sino dormente da igreja da aldeia. E tinhas que ser mais do que só borboleta.

A tua força fez-se imensa! Olhaste as tuas pequenas asas, primeiro uma, e depois a outra, e embora certa das suas fragilidades, voaste, voaste sempre, cada mais alto: porque apesar de te saberes frágil, acreditaste! O sol poderia queimar as tuas asas cheias de histórias de madrugadas e de entardeceres, mas para lá do teu mundo conhecido, estaria certamente algo digno de ser descoberto. Talvez escrito numa folha de papel dançando ao vento estivesse enfim o teu nome. Talvez fosse mesmo Borboleta. Ou Amor.

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