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Sílabas à Solta

Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria | Fotos retiradas da internet

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CAVALO

03.06.21 | Sandra

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Corre solto,
com estrondo,
num ribombar pesado de trovão
que esmaga trilhos
vazios da pegada humana.
Na poeira
que se eleva ao vento seco,
desbrava planícies,
espírito selvagem,
apressado, desenfreado,
em espaços indomáveis
como a herança que carrega.
Quando acelera contra o vento,
pensamentos agrestes saltam no ar como fagulhas que mordem,
rajadas cruas de pegadas
que quebram a dureza do chão!
Cansado abranda, arfando,
num caminho esguio
de terra solta, vadia:
não há selas
nem arreios na sua vontade!
Assenta agora a poeira nas horas quentes do chão,
e pasta ele, o cavalo, pensativo,
pressentindo nascer de novo esse forte impulso:
o de correr na vastidão
dos grandes espaços,
que parecem ser, todos eles,
caídos de um céu aberto
com o propósito único, maior,
de receber o seu galope duro.

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