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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Sílabas à Solta

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CISNES

26.02.21 | Sandra

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Silenciosamente, deslizas em águas tépidas, serenas, provocando à tua passagem ondulações que refletem o brilho da hora parada da tarde num sentimento de poder, exuberância. E olho-te sempre, alma plena da tranquilidade que se espalha em mim, esquecida já eu do tempo, do espaço, de tanto. Oiço, perto, o farol que desperta entre neblinas finas que se formam na manhã estranhamente quente e baça. E juntamente com o arrastar dos gemidos do farol sobre o mar calado para lá do parque, ouvem-se os pombos, os patos, os pardais, os gatos, as vozes de outras pessoas que se passeiam por ali. Mas tu, cisne, deslizas sempre, alheio ao mundo e ao ser, majestoso entre as folhas caídas que boiam na superfície do lago, e os raios de sol que atravessam os plátanos e picam de reflexos brilhantes as águas escuras onde peixes dançam ao som do nada. Na claridade da luz adormecida do dia, quase te assumo como se fosses de facto a encarnação de deuses, da pureza e da luz, do solar e do lunar, da fidelidade e fecundidade, simbologia atribuída aos cisnes brancos. E o amor? Sei lá! Talvez ondule algures, entre o hoje e o amanhã, pendente na hora que ainda não chegou porque não é tempo. A vida não deixa. Já tu, cisne, deslizas ainda pelo lago e pelas minhas memórias felizes, qual esperança que desponta no dia que foi, e aponta ao amanhã. Brumas que me aconchegam num final feliz, finalmente! 

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