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Sílabas à Solta

Prosa poética | Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria | Fotos retiradas da internet.

Sílabas à Solta

Prosa poética | Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria | Fotos retiradas da internet.

CONTEMPLATIVO

08.10.20 | Sílabas à Solta

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Adivinho-te nessa chuva miudinha caída do nevoeiro que te trespassa. Ao olhar para ti, o rio pergunta-se o porquê de ali permaneceres há tanto tempo. As gaivotas roucas já partiram, o farol já se calou, os barcos são agora meras formas fantasmagóricas. Olhas para lá da linha do intransponível. Não ouves os poucos pássaros que nos ramos se esquecem do frio e a piar rasgam distâncias chamando por ti. Também não ouves o tinir da ondulação quase inexistente contra a pedra molhada do pontão. O teu pensamento vai mais longe que a distância percorrida pelo Homem neste universo que nos acolhe. Todo o teu foco já arrancou raízes, chicoteou ramos no ar e fez folhas voarem em todas as direções. E tu nem te mexeste. As horas surgem atrás de ti, encostam-se às tuas vestes molhadas e pousam a mão no teu ombro. Nem dás por elas. À tua volta, tudo parece suspenso, estático, e tu és parte síncrona desse meio. Na tua longa introspeção a névoa dissipa-se, a chuva miudinha deixa de cair, as pedras secam, as aves rodopiam e o rio, isento de ti, canta. Também tu despertas desse estado contemplativo pois a primavera abraça-te pela cintura e amas outra vez com todo o calor do verão. Amo-te eu, também!

 

Mais contemplação em:  https://cronicassilabasasolta.blogs.sapo.pt/comtemplativo-ii-34547?tc=76647209316

 

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