Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

CONTEMPLATIVO

08.10.20 | Sandra

5086290_S.jpg

Adivinho-te nessa chuva miudinha caída do nevoeiro que te trespassa. Ao olhar para ti, o rio pergunta-se o porquê de ali permaneceres há tanto tempo. As gaivotas roucas já partiram, o farol já se calou, os barcos são agora apenas formas fantasmagóricas. Olhas para lá da linha do intransponível. Não ouves os poucos pássaros que nos ramos se esquecem do frio e rasgam distâncias a piar chamando por ti. Também não ouves o tinir da ondulação quase inexistente contra a pedra molhada do pontão. O teu pensamento vai mais longe que a distância percorrida pelo Homem neste universo que nos acolhe. Todo o teu foco já arrancou raízes, chicoteou ramos no ar e fez folhas voarem em todas as direções. E tu nem te mexeste. As horas surgem atrás de ti, encostam-se às tuas vestes molhadas e pousam a mão no teu ombro. Nem dás por elas. À tua volta, tudo parece suspenso, estático, e tu és parte síncrona desse meio. Na tua longa introspeção a névoa dissipa-se, a chuva miudinha deixa de cair, as pedras secam, as aves rodopiam e o rio, isento de ti, canta. Também tu despertas desse estado contemplativo pois a primavera abraça-te pela cintura e amas outra vez com todo o calor do verão. 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.