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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Sílabas à Solta

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DEITADA SOBRE TI

05.12.20 | Sandra

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Aos vastos campos a perder de vista, quando neles a erva ondula no dourado da tarde e, no céu alto, enquanto árvores dormem na preguiça da tarde, aves peregrinas voam:

Nunca cedes, erva do campo! Nada te derruba, como se fosses pedra em muralhas de lendários castelos!

O sol? Entregas-lhe alegre as tuas folhas despidas, ansiosas de se perderem no seu calor com prazeres de seda.

A chuva? Como a desejas, erva do campo! É doce, intimo banho, em que gotas de água deslizam sem pressa até à tua raiz.

O frio? Apenas serve de pretexto para, mimosa, te insinuares ao sol a pedir demorado abraço. Na tua sedução, mil promessas...

A geada? Queres lá saber, erva do campo! São longos beijos dados em eternas madrugadas, quando o amor se quer e a bruma é cúmplice.

O vento... recebes deliciada cada sopro seu que faz o desejo tremer nas tuas folhas; e quando chega a hora, deixas o vento partir como um amante que voltará na altura certa.

Erva do campo! De dia, senhora envolta nos seus desígnios, dona da sua vontade e das suas certezas; à noite, menina rendida, submissa às estrelas, partilhando sonhos, histórias, orações, fazendo (sem pudores) amor com a lua.

É por isso erva do campo que gosto de deitar-me sobre ti, sentir-te viva em meu redor, enquanto nuvens conversam no descampado do céu azul. Porque tu compreendes.

 

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