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Sílabas à Solta

Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria | Fotos retiradas da internet

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DEITADA SOBRE TI

05.12.20 | Sandra

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Aos vastos campos a perder de vista, quando neles a erva ondula no dourado da tarde e, no céu alto, enquanto árvores dormem na preguiça da tarde, aves peregrinas voam.

Erva do campo, flor selvagem, vontade dispersa numa vastidão imensa aberta ao céu. Horas que fustigam as sombras das nuvens preguiçosas que percorrem as aves e os insetos despreocupados. Não passa o tempo para o quente seco da terra antiga, onde o agreste se entrega ao horizonte desinibido que tudo nele abarca. Despe-se a erva dura, a flor rija, ao sol que não se acanha e acaricia lentamente, ou à chuva que escorre interminável, molha sem pudores, até à raiz arrepiada na pele do solo profundo. Resistem ao vento que ama com força, às geadas que beliscam como beijos, ou às brumas que provocam até ao limite quase insuportável. E quando a noite mordisca segredos no escuro, onde estrelas são como intemporais velas acesas, e as sombras, um jogo, cedem enfim a erva do campo, a flor selvagem, ao serem parte da natureza, sob toda a imensidão do universo onde as aves se calam e os deuses falam. A manhã chega, invariavelmente, e sempre encontra a liberdade expressa na tremenda força dos campos, planícies, pradarias sem fim. E é por isso que gosto de me deitar sobre ti, erva do campo, sabendo em meu redor as flores abertas ao céu, aos insetos, às aves. Porque tu, campo, compreendes-me, porque sou eu também campo.

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