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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Sílabas à Solta

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DESAFIO

06.10.20 | Sandra

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Estende-me aberta, a mão,
entrega-me de ti palavras
que escorrem finas
de dedos esguios, esses teus!
Apanho-as ávida de letras,
sorvo-lhes o sentimento
que me inunda a alma!
Quero palavras!

Como trovão que rasga céus
no macio escuro da noite
rendo-me em escrita crua de mim,
essência despida de entrelinhas!
Sou Mulher, afinal...
onde prosa e poesia
são eternos amantes em
madrugadas longínquas.
Como chuva das monções
deixo cair de mim
Sílabas à Solta:
o rugir dos sentidos
espalhados em papel
que o vento do sul
há-de levar adiante.
Se houver quem capture
papel cru, esse, 
feito palavras despidas de mim,
que sejas tu,
que me rasgues toda a alma,
afagues palavras sentidas,
proves letras caídas,
despojos de guerras
travadas em velhos mundos.
Quero palavras,
sílabas tuas que, como fera, devoro,
casa tua, como minha,
jogo de espelhos onde te procuro,
frases em tempestuosas ondas
que na borda do papel morrem.
Palavras em rodopio no ar:
apanho-as todas de ti,
dessas tuas mãos que me prendem:
escondo-as em mim, palavras tuas.
Entrelaça esses dedos teus
nos meus
e leva-me por letras tuas
às Artimanhas do Diabo
que resgatam almas perdidas...

 

(Nota: resposta a um desafio)

 

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