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Sílabas à Solta

POESIA | PROSA POÉTICA

Sílabas à Solta

POESIA | PROSA POÉTICA

NA PELE

21.06.21 | Sandra

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Deixa estar. A caneta e o papel podem esperar, eu não. O vento soprou agora lá fora e já palavras se agitam pelo ar. Vai lá e apanha-as, mas não as prendas em diálogos teus. Deixa-as escorregar por entre os teus dedos sobre a minha pele. Permite que elas caiam devagar, uma a uma. Senão, pinta-as tu, em mim. Cada traço, cada curva, cada ângulo. Ou desenha-as, o desenho tem um simbolismo tão antigo como o próprio tempo do Homem, em que desenhos e símbolos eram feitos em grutas sagradas, e pessoas escondidas nas sombras cantavam em rituais repletos de significados, antes de se amarem noite fora!

Tens a minha pele submissa à vontade tua, quase intocada, e está vazia de ti. Instrui-me. Prometo ficar quieta. Não falar, sequer. Desenha-te nela, como se fosses uma tatuagem ou um poema. Afinal, talvez o sejas. Talvez tivesses nascido Poesia, e em alguma curva do passar das eras tivesses sido transformado em prosa, e sido espalhado por todos os corações que nascem poetas de si...

Tantas palavras, por todo o lado! Pega nelas, e desliza-as imaculadas sobre mim. Alguma fará mais sentido do que as outras todas, e talvez quando a leres voltes a ser Poesia outra vez, o teu estado primeiro.

O vento começou novamente a soprar. Continua a agitar palavras, mas não no ar. Já não. Desta vez, agita-as em mim. Sou eu quem as carrega, desenhos na minha pele lisa, clara, feita agora o teu papel, a tua tela. 

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