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Sílabas à Solta

POESIA | PROSA POÉTICA

Sílabas à Solta

POESIA | PROSA POÉTICA

DESPERTA

23.01.21 | Sandra

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Acorda-me a chuva vagarosa, lenta, a cantar poesias sobre os campos que se estendem vagos, para lá da praceta bem cuidada. Ervas e flores acomodam as suas raízes e compõem as suas folhas, para receberem as notas musicais cristalinas que a chuva delicada traz. Calam-se ao vento que pousa memórias pelos carreiros de terra batida e, delicadas e humildes, escutam as gotas finas e frágeis que se deitam risonhas, um pouco por toda a paisagem. Nas árvores nuas da praceta, alguns melros e rolas gemem e palram, palavras feitas de despertares. Também eu estou desperta agora. Olho a rua enquanto bebo um café e sei que para ti nada sou. Aí, não muito longe, estás tu. E  longe, estás tão perto de mim que não há como afastar-te para longe de novo. Serás sempre só tu. E agora a chuva cai, linda, brilhante. Diamantes que enfeitam o dia, a praceta, os campos de ervas e flores. O vento sopra mais intenso. Volto tranquila para o aconchego mudo, certo e fiável dos lençóis quentes. A manhã lá fora desenrola-se e a fé renova-se.

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