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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Sílabas à Solta

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POR INTEIRO

08.11.20 | Sandra

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O céu está frio. Tons pálidos, desfeitos, destoados. Não há vento mas um ar gélido e húmido cola-se ao meu rosto. O areal cerca-me liso, vazio, quase sem essência. À minha frente, todo um imenso e desolado mar. Sentada na areia, é a ele que me entrego, é nele que me disperso. A luz que sobressai vinda de um apagado céu parece chamar-me, abrir-se a mim como dois braços que se abrem para oferecer um abraço a alguém. Aceito. Respiro fundo e relaxo ainda mais. Um pouco por todo o lado estão pegadas solitárias de gaivotas que já não se veem. A tarde ainda é jovem. Não há ondas mas um grupo de surfistas embala-se nas suas pranchas que ondulam nas águas paradas. Na zona das rochas, três cães correm e brincam risonhos. Mais lá atrás, jovens jogam às cartas e riem alto. Bebo um pouco do chá que levei num termo e, num instante, sob aquele céu solitário, abstraio-me de tudo, tão descontraída que estou. Fixo a linha do horizonte, que parece tão longe e, ao mesmo tempo, tão perto. Ganho consciência do tanto que está para lá dessa linha. Outros mundos, outras sociedades, outras culturas. Milhões de pessoas, cada uma com as suas rotinas, os seus medos e sonhos, as suas memórias e histórias. Tanta diversidade. Em todas as diferenças que possam existir entre todos os lugares deste nosso mundo, somos iguais uns aos outros. Todos, sem exceção, vivemos guiados pelo instinto, o sentimento e a razão. O lado primitivo de cada um, o coração e o lado racional, numa simbiose perfeita. Para lá do mar que consigo compreender do lugar onde estou sentada, há tanto de diferente quanto de igual - é como se todos os lugares, num só! Penso nas pessoas que atualmente fazem parte da minha vida. E ali, em frente ao mar, sinto-me mais rica, mais completa, mais tranquila do que nunca. Está mais frio agora, a fraca luz que me chega só serve para iluminar, não para aquecer. Decido ir acabar a tarde no bar da praia, entre um chocolate quente e um croissant, em paz comigo e com o mundo, o meu mundo, com as suas forças e fragilidades, onde pertenço por inteiro. E onde estás tu também, a quem desejo tanto abraçar!

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