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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Sílabas à Solta

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DONO CERTO

05.02.21 | Sandra

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Costumas voar peregrino por descampados, onde a erva solta agarra geadas intemporais que o sol há-de capturar a si. Deixas cair de ti, cá em baixo, a tua vaga sombra, quando voas lá no alto, onde ventos frescos e sólidos sopram nomes que não conheces. É quando planas livre sem horas, nas horas azuis de um imenso céu, que te sentes maior que o tempo e o silêncio que ainda existe.

Antes, vigiaste cumes desolados, muito longe daqui, quase sempre esquecidos pelo sol, tu e o teu negro bando, em círculos infindáveis. Lá, onde não existia o silêncio, cada cume cortante capturava ideias que ecoavam noite e dia dentro e fora de ti. Embriagado na certeza de que haveria mais, deixaste montanhas e gélidas sombras para trás, para agora voares sem rumo nem dúvidas ao sabor das tuas vontades.

És agora dono certo destes campos imensos, no dourado quente das jovens tardes e na frescura pálida das manhãs. Voas solitário e frio entre nuvens brancas que ofuscam, ou telhados esquivos, baços, cobrindo com as tuas asas as horas cruas que passam. Quando farto, pousas as tuas penas negras cheias de convicções em ramos duros, vazios, marcando território. E aí, ditas poemas ao mundo, às outras aves que, faladoras, te cercam, às pessoas que passam, aos cães que deambulam farejando pensamentos sem tom.

E ficas, ficas sempre, já não sabes partir; afinal não se deixa o lugar ao qual se pertence.

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