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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Sílabas à Solta

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EM UNIVERSO PEREGRINO

05.09.20 | Sandra

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Não é difícil encontrar-te. Quando a lua trocar um olhar com as ondas cristalinas na zona de rebentação, tu estarás lá, no alto do mundo. E eu, em porte altivo e frágil, olhar-te-ei. Crê, ser meu de luz, quando a noite se desnudar em universo peregrino, estaremos enfim face a face.

Pois chamaste-me e eu ouvi-te. Tua voz é somente o murmúrio leve da brisa esquecida na noite, quando ecoa o piar da coruja no alto das árvores antigas. Ouvi o teu apelo. Senti-o ansiosa no arrepio da pele nua beijada pelo calor.

Recebes-me. De novo, nós. A água lisa e cheia dos reflexos prateados de luar acaricia, como cálido cetim, as nossas almas salgadas. Só tu falas enquanto te pertenço, em sussuros de fino nevoeiro que contam histórias de velhos mundos onde foste rei. São histórias que entorpecem os sentidos e devoram a alma. Nelas, entre as tuas mãos como algas ao sabor da maré, renasço uma e outra vez como chama na noite. Não sei se respiro. Só vejo o céu acima de nós, no seu movimento vivo, lento, intenso de estrelas e cânticos xamânicos perdidos na passagem dos séculos. Deslumbro-me siderada em ti que és praia, mar, oceano. Toda eu sou matéria tua, brilhante fotão de luz, acolhedora de ecos teus que te escapam, ventre despido onde veleiro repousas.

A noite avança por galáxias distantes, perigosas, imensas. Mas na cálida praia onde me acolhes, ainda é serena a nossa maresia. Já sou mais tu e menos eu, entorpecida entrega na infinidade das horas que não existem e no Tempo que há-de ser. Na dança de ténues horizontes esquecidos, é a ti que leve me elevo, vapor de água de dormente, noturno mar de lua. Ao longe, um tambor ressoa no princípio do mundo enquanto no areal a fogueira ainda arde.



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