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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

PRIMEIRO ENCONTRO

04.09.20 | Sandra

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A ti, que vieste do norte ao centro tropeçando na minha vida por amor à escrita e fotografia.

2008. Ligaste-me a avisar que estavas perto do meu local de trabalho e que ias buscar-me para tomarmos um café. Esse aviso-convite feito em cima da hora foi para eu não ter oportunidade de recusar, não foi? Não sabia o que esperar de ti nesse nosso primeiro encontro. Olhava ansiosa as horas (e o espelho) ciente de que a qualquer altura irias ligar para o meu telemóvel a avisar que já tinhas chegado ao estacionamento. E eu, com a minha calma aparente, sentar-me-ia no assento confortável do teu fabuloso carro para irmos a alta velocidade até aquela tasca tão acolhedora, diariamente frequentada por mim.

Tal e qual. O empregado, meu amigo, serviu-nos prontamente e com uma atenção genuína. Ainda não tínhamos terminado o café, já tu sacavas do teu iPhone pedindo de forma delicada se podias tirar-me uma foto. Perguntei-te se não tinhas amor à vida, mas dei permissão. Como ser capaz de te dizer um "Não"? O tempo para nós foi pouco, eu estava em horário de trabalho. Chegou para o café. Mas não para tudo o que queríamos conversar. Chegou para me fixares, entre o atrapalhado e o fascinado. Não para eu te dizer o quanto eu já gostava de ti.

Dizem que os olhos azuis são frios, dificilmente capazes de demonstrar afeto. Mesmo quando o sentem. Desde esse nosso primeiro encontro, passei a discordar com maior convicção dessa afirmação tão sem fundamento. O teu olhar, lindo como ele só, como tu, o homem mais lindo e charmoso que eu alguma vez viria a conhecer, mudou tudo a partir daí e até hoje. Deixei de me conhecer e, ao mesmo tempo, comecei enfim a conhecer-me. 

Na hora seguinte a teres ido embora, e após eu ter regressado ao meu local de trabalho, quando tudo me parecia ainda irreal, recebo um mail teu. De ti: o amigo, o amor, o viajante do mundo. De ti, palavras de rasgados elogios, de alma exposta, simpáticas declarações. Perguntavas no final quando podíamos estar juntos de novo e terminavas com o teu habitual: "1 Bj. GRANDE!"

Os meus receios quanto ao que terias pensado de mim nesse nosso primeiro encontro desvaneceram-se enfim. A verdade é que nunca por nunca tive que me esforçar por ser mais, para ser melhor, para que tu, homem, gostasses de mim, mulher.

A partir daquele dia algo mudou. Eu, a simples mulher, e tu, o homem charmoso, belo, de cabelo amoroso, olhos azuis perspicazes e ternos, que me tratava com um respeito, uma educação e uma meiguice que se tornavam comoventes. Todo tu tens em ti essas capacidades: humilde, ser capaz de pedir desculpa e ser, para comigo, muito cavalheiro! Entre tudo o que entre nós nasceu, destacava-se sempre como pano de fundo a cumplicidade inquestionável firmada entre nós. Foi o que ficou quando, após muitos e bons anos, tudo o resto foi. Antigo amor. Amor antigo, de outros tempos, outros loucos prazeres, ingénuos risos, feito agora amizade, respeito, admiração. E cumplicidade. 

A tua existência na minha vida mudou tudo. Mudou a minha visão sobre o dia cinzento, sobre o vento frio que soprava ou sobre as folhas secas caídas no chão, sobre o cansaço de um dia difícil. Esse é o poder do amor, daquele que começou em ti e espalhou-se em mim. E eu já não quis saber se um dia seria de novo inverno.

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