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Sílabas à Solta

POESIA | PROSA POÉTICA

Sílabas à Solta

POESIA | PROSA POÉTICA

EQUINÓCIO

22.09.21 | Sandra

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Outono boreal,
Ponto libra.
Move-se o sol
No subtil tracejado
Do descansar da terra.
Reparte-se a luz
Em significados místicos,
Nas sombras adocicadas
Que se alargam
Ao encurtar morno dos dias.

Estação de passagem.
Cores de nós rasgadas,
Rituais celtas
Que enaltecem o tom,
O perfume,
Cheiro de lume,
Floresta, musgo, relva,
Maré baixa, areia molhada...

Fragrância de palavras tuas,
Trazidas na friagem
Do desapego das árvores,
Que soltam à pausa do vento
Folhas de poemas
Já lidos, relidos.
Geadas que chegam caladas
No sono aconchegado das noites,
Beijam madrugadas em nevoeiro,
No meu afeto por ti,
Exposto, por inteiro.

Estação de transição,
Ciclo, roda da vida.
Colheita dos frutos,
Amores maduros,
Que incidem perpendiculares
Ao equador do firmamento.
Sílabas à Solta
Nos vermelhos lascivos,
Dissolvidos
No dourado quente do âmbar.
Equinócio,
Outono-nostalgia,
Folha vazia,
Mutação, 
Que se enche de nós
na maciez da estação.

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