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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria, uns mais atuais que outros. Todos com fundo real. Imagens retiradas da internet. | Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

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Sílabas à Solta

11
Ago20

FILHO MEU

Sandra

IMG_20190905_081918_661.jpg

Hoje, enquanto olhava da minha janela as árvores da rua, apercebi-me do quanto sinto falta de assistir a um pôr-do-sol. Daqueles que acontecem num dia quente como o de hoje e que dão a tudo um tom entre o vermelho e o laranja. Um crepúsculo que faz o horizonte parecer imenso. Que evidencia o tom da terra meio seca, o verde das folhas, a relva que cresce selvagem, que projeta sombras longas no chão e até parece ter perfume próprio. Loucura, eu sei, creio ser o resultado de eu estar a precisar imenso de saborear um delicioso, fumegante e inocente café.

Ao fim do dia, também o meu filho ficou demoradamente à janela, contemplativo, perdido nos seus próprios pensamentos. E olho-o, enquanto aquele lindo ser vê a rua, sem ele se aperceber de mim. Até à sua chegada eu não sabia nada sobre amor. Nada! Como o amo! Tanto, dói...

Ele tem os seus problemas e eu, cheia de um imenso amor por ele, muito crente em Deus, rezo, rezo muito para que Deus o ajude sempre. Dava tudo, tudo, para que fosse possível fechar negócio com Deus, algo do género:

"- Meu Deus, retire tudo o que de menos bom estiver reservado para o meu filho e coloque isso sobre mim e apenas sobre mim, para que ele viva sempre em paz e com paz em todas as áreas da sua vida! Em troca, eu...".

Depois, um aperto de mão entre ambas as partes e acordo selado. Contudo, na verdade, já é isso mesmo que eu peço nas minhas orações silenciosas. Que o meu filho unicamente tenha desafios menores na sua vida, daqueles que fazem parte da vida de tanta gente e que são passageiros, pontes que levam ao crescimento pessoal. Só!

O meu filho é crescido, alto, mais do que eu, porém, ao vê-lo naquela janela, contemplativo, senti-o tão pequenino, só quis correr para ele e apertá-lo, abraçá-lo, mimá-lo, protegê-lo, dar-lhe colinho!

Aproximei-me dele, todavia, não quis interromper o seu estado pensativo, abstraído. Em vez disso fiquei ali a seu lado. Ficámos os dois à janela, em silêncio cúmplice, a ver a praceta, as árvores, as colinas relvadas, os baloiços coloridos, os cães risonhos a brincar. O sol a dourar tudo na sua luz pacifica, nostálgica, no calor de fim de tarde. Não foram precisas palavras.

Sinto a falta de assistir a um ocaso. Porém, aqueles doces minutos ao lado do mais maravilhoso ser que recebi na minha vida, valeram mil sóis a desaparecer despreocupados no horizonte. A minha vida, o meu coração, tudo o que sou, tudo o que tenho, tudo o que faço, eu por inteira, tudo entrego em oração pelo meu filho. A um Deus que amo e questiono. A esse Deus, a quem peço a proteção do meu filho. Com uma tremenda fé.

O meu filho, algo muito, mas muito acima de mim, a soma de todas as coisas mais belas alguma vez vislumbradas pelo Homem e daquelas que ainda estão por descobrir. Naquele doce ser reconheço a beleza das ondas do mar revolto, da águia que voa no alto das montanhas, da força das águas da catarata que caiem a uma velocidade vertiginosa, da baleia que deslumbra ao saltar fora de água, das maiores migrações animais ao cimo da Terra, dos milagres das monções.

É exagero? Não, é apenas um filho, o meu filho, que, por tudo aquilo que é, merece todo o amor desta sua mãe. 

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