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Sílabas à Solta

POESIA | PROSA POÉTICA

Sílabas à Solta

POESIA | PROSA POÉTICA

FIQUEMOS

24.08.21 | Sandra

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Uma imensa paz. O sol doce de fim de tarde já se desfez todo no ondular salgado de águas mornas, que nos conhecem bem.

É esta a nossa hora secreta. Pousa a tua mão na minha e conduz-me onde sabes que quero ir. Leva-me ao nosso momento feito de oeste e de maré cheia. 

Na vastidão parada do mar em ouro, que há muito espera por nós, somos corpos entrançados sem pressa, silêncio denso e brilhante, quebrado apenas pelo vagaroso remexer dos nossos gestos na procura um do outro. Reflexos dourados fundem-se com o molhado das nossas peles, e flutuam sem peso até à linha do horizonte invisível que nos ofusca em si.

Olho-te sem saber de que cor são os teus olhos. Parecem conter neles todos os mares, as idades do sol, as fases da lua, constelações imensas. Mas o beijo que me dás sei-o bem: sabe a brisa, a crepúsculo, a risos, a um verão interminável feito das letras do teu nome. Já lá estivemos antes...

O beijo, que escorrega no nosso abraço lento, coberto das gotículas transparentes que refletem as cores do ocaso. O beijo, que assiste connosco ao pôr-do-sol num mar eterno, sem ondas nem sombras. O beijo, que se prolonga até ao mergulhar das horas nas asas das gaivotas presas ao poente.

A noite há-de chegar imensa, carregada de segredos e estrelas, para nos acolher, simples aprendizes, em si. Tu és ser da noite, fiquemos. Não foi para isso que viemos de tão longe, para o amor acontecer?

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