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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Sílabas à Solta

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INSÓNIA

26.08.20 | Sandra

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Insónia. Mente desperta. Impaciente, desvio de cima de mim o lençol, e subo o top, preciso de ar fresco. Mas o calor dentro do quarto não ajuda. A noite vai adiantada. Subo os estores, abro a janela e debruço-me sobre o parapeito. Olhos fechados. Respiro fundo uma, duas, três vezes e reencontro-me.

Estou descontraída. A noite é fresca, jovem e bela. Através do silêncio intenso e quase palpável, olho para longe. Pressinto outros mundos, outras civilizações, outras vidas, outros seres. Tanto e tanto ainda a descobrir e a tentar compreender! Olho no céu as constelações, lembrando-me que alguns pontos brilhantes não são estrelas mas planetas. Os que não piscam. Relaxo ainda mais. Começo a sentir frio mas não me importo, o frio espicaça-me e desperta-me. Faz-me bem.

Penso na humanidade, em todas as suas forças e fraquezas, capacidades, falhas e conquistas. E em tudo o que faz parte deste mundo que conhecemos. O Homem é poderoso. Dele, partem outras coisas imensamente poderosas: o amor, a palavra e o acreditar. Cada uma dessas coisas tem o seu próprio poder e propósito, mas tem também algo em comum que as coloca num mesmo nível: são forças cinéticas e consoante o seu uso podem ser demolidoras ou construtivas. Basta ler alguns registos que ficaram na história da humanidade: por amor, travaram-se batalhas; pelo poder da palavra, civilizações, como os Assírios, organizaram estratégias que lhes trouxeram enorme poder comercial, religioso e político; pelo poder de acreditar, aviões rasgam atualmente os céus - porque alguém, um dia, acreditou e fez! O amor, a palavra e a fé, forças que vêm através dos séculos, desde tempos primordiais, e que trouxeram o Homem até onde ele está hoje.

O céu, embora sem nuvens, está com uma luz rosada. Sinto os braços gelados e, finalmente, o sono a chegar. Penso no teu nome. Pergunto-me se estarás acordado e se eu, alguma vez, uma vez só, estarei aconchegada num abraço teu. Pensas em mim?

Deito-me, revejo, apesar de amanhã estar de folga, se tenho o despertador ligado, e procuro com os pés, uma zona da cama que esteja fria. Continuo a ouvir os sussurros doces da noite lá fora e a pressentir outros mundos, civilizações, outras vidas e outros seres. Alguma vez conseguirei chegar a ti como tu, em tão pouco tempo, chegaste a mim? 

 

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