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Sílabas à Solta

POESIA | PROSA POÉTICA

Sílabas à Solta

POESIA | PROSA POÉTICA

LUZ DOURADA

31.10.20 | Sandra

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Renovo-me ao caminhar por extensos campos. Neles, sou todos os sonhos possíveis. E bebo, deliciada, a liberdade do ser e do estar - como se tudo o que menos bom há, não tivesse lugar em toda aquela vastidão.

Em tardes douradas de sol quente, no céu alto voam as aves. Rasgam o azul infinito, sem nuvens nem pressa. Na terra seca, pálida, ervas e flores selvagens libertam aromas próprios, que pairam intensos no ar à minha volta. Caminho por caminhos não traçados na hora adormecida do calor e perco-me para encontrar-me de novo. Em tempos idos, passeava já assim pelos campos, de alma leve e imensa, do tamanho da imensa extensão que me rodeava. A paz de outrora resistiu a estações e ciclos, e ainda hoje pressente-se nos campos, ao ondular das ervas secas numa dança acesa e sincronizada sob o beijo do vento que sopra.

No descanso das horas intermináveis, a poesia faz-se desejo, que se eleva à cadência dos sons do campo presentes em todo o lado e ao mesmo tempo: a secura das plantas, o chiar das aves, o zumbir dos insetos, o avião que rasga o firmamento alto deixando um traço branco, fino, cortante. E é envolta pelos sons, cheiros, tons do campo, que busco o que de ti tanto quero, ali, na luz loira.

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