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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

MAGNETISMO

01.05.21 | Sandra

 

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Patrulha as ruas e os rios, esta minha vontade de ti. E não te vejo. Vê-te a chuva que cai dócil e embriaga instintos que vêm de muito longe. Vê-te o vento quente que traz com ele o calor amante do deserto e te desfaz em desejos que te quebram por dentro. Vê-te a planície imensa que devasta as horas adormecidas na tarde, imensa ela também. E eu não, não te vejo, eu. Nem tento procurar-te em becos floridos de perfumes indecifráveis, onde guitarras descansam, deitadas, o fado; ou em bancos de pedra que namoram lagos brilhantes entre o grasnar dos patos e o baloiçar dos nenúfares. Tentei uma vez procurar-te em amanheceres, quando a vida desperta sonos que se desfazem na luz vibrante que chega. Em vão. Encontrei  apenas sólidos telhados que albergam histórias de outras gentes e ruas dormentes onde gatos se espreguiçam indolentes à beira da relva seca. Mas sei que andas algures por aqui. É uma certeza, um pressentimento íntimo feito de nuvens lentas e brancas que riem no azul firme do céu parado. A chuva há-de cair, novamente dócil. E então sairei à rua. Que essa chuva caia sem pudores sobre mim, me molhe cabelos e rosto, que roupas fiquem coladas ao meu feminino corpo, revelando formas e a certeza de ti. E quem sabe, enquanto me solto nas gotas leves das horas que tombam ao chão, te pressinta perto e saiba encontrar-te. Porque és enigma que me ronda e estreita nas palavras tuas. Magnetismo. E este querer-te, constante, invisível...

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