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Sílabas à Solta

POESIA | PROSA POÉTICA

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Mensageiras

11.10.20 | Sandra

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Aves mensageiras voam em bandos soltos pelas ruas. Sobrevoam telhados poeirentos e percorrem interrogações tombadas ao vento. Sou dona de todas as palavras que transportam, e a todas elas eu mando chegar a ti.

Dia após dia, no desenrolar silencioso do tempo, quando a estrela da alvorada ainda dorme, com um só gesto chamo-as e peço-lhes que passem perto da tua janela, para que as vejas e te lembres de mim. Perseguem-te então por becos onde guitarras portuguesas tocam o fado, por pracetas floridas onde o pintor alegra a tela branca, em coretos onde um apaixonado se encanta ao som de um acordeão, em ruelas escondidas onde amantes se beijam antes do amor.

Às vezes encontram-te, impaciente, cheio dos teus dias famintos de algo mais forte e poderoso, que dê um sentido maior a tudo. Noutras alturas, regressam sem notícias tuas e as horas ficam vazias.

Sou dona dessas aves mensageiras. Ao final do dia, a todas elas recolho cuidadosamente no meu colo sob a vastidão vertiginosa da noite. São imensas. São a minha perdição, o meu ciúme, pois elas veem-te, e eu não. Tu, força insondável que me impede de voar feita eu também ave mensageira, na minha busca peregrina por ti.

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