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Sílabas à Solta

POESIA | PROSA POÉTICA

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CEREJA

08.07.21 | Sandra

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É este o tempo. O sol não se acanha e o vento já não tem mais flores para derrubar. Vamos por aí, os dois. Levarei cerejas. No vermelho que nelas se exalta e que levas à tua boca, prova em mim toda a sua vincada simbologia, toda ela feita quem eu sou. Deixemos vazar os minutos contados, fiquemos só eu e tu entrançados no beco de caprichos nossos. Conta-me: já viste uma cerejeira em flor? As cerejas sabem de nós, de um algo que se firmou em algum tempo recolhido ao secreto, ao oculto, ao que (ainda) não foi. Entre as nossas palavras perenes e silêncios vadios, cereja a cereja, reparto-as contigo. Prova-as: firmes, sóbrias, transparentes, decididas, carregadas de algo que ondula entre a luxúria e o inocente. Queres (-me)? Viciam-me, vicias-me! Um jogo: a cada cereja, uma palavra impregnada de significados. Vence quem conseguir ser cerejeira em flor, nesta altura em que andorinhas ainda caçam amores. E no fim do jogo, na última cereja, conjuga um abraço teu a mim, para que possa eu provar-te. Mais cerejas? Mais tu. Mil vezes sim!

3 comentários

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    Sandra

    10.07.21

    Obrigada, amiga linda! E este ano tive a sorte de comer boas cerejas ainda por cima são caras... Obrigada pelas tuas palavras encantadoras, e por esse coração lindo de sol! Um abraço, e um fim de semana fantástico!
  • Sem imagem de perfil

    Anónimo

    11.07.21

    Também adoro cerejas, mas aqui não há, vêm é do Continente, como tantas outras frutas.
    Obrigada por tudo. Um gigante abraço minha Amiga!
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