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Sílabas à Solta

POESIA | PROSA POÉTICA

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Cidade

18.10.21 | Sandra

px-downloadgd285ebbd9ba1547e739186da50262878e36ebeEncosta-se o cinzento do dia ao cinzento dos prédios.

Janelas abrem-se ao aglomerado de outras janelas,

Abertas também,

Imunes ao ruído monótono

Do trânsito que se arrasta rouco

Pela rigidez das horas.

Avenidas de sentido único são calcadas por passos largos 

Que passam ocos,

Sem deixar sombra ou marcas.

Cruzam-se pessoas sem se verem,

Mentes cheias,

Bolsos vazios das cores,

Da música,

Do tempo necessário para se poder ter tempo.

E no alto,

Longe dos ruídos e das pressas,

Voa barulhenta uma gralha-negra,

Parecendo ser ela,

Poderosa e tão bela,

O único elemento que realmente vive

Na selva de betão

Que te acolhe por uns dias.

Neste começo de outono, és viajante estrangeiro.

O cimento oculta-te,

A cidade ocupa-te,

Mas regressarás.

Regressas sempre,

Com todas as histórias que serão despejadas em monte

Nas minhas mãos

Sempre abertas às tuas!

2 comentários

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    Sandra

    18.10.21

    Sempre muito gentil, grata meu amigo!
    As grandes cidades às vezes são tão confusas, que só conseguimos reparar no que está longe, neste caso, a gralha! Muitos beijinhos, boa semana 🌷
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