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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria, uns mais atuais que outros. Todos com fundo real. Imagens retiradas da internet. | Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

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Sílabas à Solta

18
Ago20

NÃO HOJE

Sandra

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Tenho acompanhado, na medida da minha disponibilidade, um programa que passa diariamente na RTP1, cujos episódios são transmitidos a partir das várias regiões que fazem parte da famosa Estrada Nacional 2 (EN2). Trata-se da maior estrada nacional de Portugal e uma das maiores do mundo. Mais de 700 quilómetros que ligam o norte e o sul do nosso país. Sempre que o programa termina, fico a remoer a minha imensa vontade de percorrer todo esse trajeto. Mas mesmo que o fator monetário não fosse um impedimento, seria o fator tempo.

Outra vez, o tempo!

Parece-me que tudo passa cada vez mais rápido. Horas, dias, semanas, meses. Momentos, vivências e experiências. E isso deixa-me louca! Não sei lutar contra o poder das horas e do calendário, ultrapassa as minhas capacidades e aprendizagens. Volta e meia dou por mim a lamentar que o dia não seja mais longo. Sempre consigo cumprir os objetivos por mim traçados para cada dia, mas fica sempre muito por realizar, tantas e tão variadas são as coisas que aprecio e preciso fazer. Assim, sentindo uma necessidade e uma pressão por mim impostas de aproveitar cada segundo, acabo por ter dificuldade em "desligar". O relógio torna-se meu aliado e meu inimigo.

O que ainda me ajuda a esquecer que o tempo voa e deixa tanto para depois são os momentos em que me cerco pela natureza ou quando posso desfrutar, despreocupada e feliz, da companhia dos que me são mais chegados. O tempo e a sua vontade própria, a sua determinação... mas hoje não.

Hoje obriguei-me a parar de pensar nas horas, nos afazeres, em tudo. Faço-o através de um hábito muito meu: um banho de imersão fora de horas. Toca "Harvest Moon" do Neil Young, a tarde vai a meio, está calor, porque não? É das coisas que mais me relaxa! Adoro estar na penumbra, sentir na pele o toque fresco e íntimo da água e da espuma leve, ouvindo através da janela aberta os sons das aves e das vozes das pessoas que descansam na praceta e que chegam a mim como ecos. Fico assim muito tempo, olhos fechados, sem pensar em nada, os sentidos rendidos ao desfrutar do momento, aos sons distantes da rua ou à ondulação da água na banheira. Nem dou pelo tempo passar. Por agora, ganhei esta luta contra os ponteiros do relógio.

Mas a vitória foi de curta duração. Enquanto me visto, indignada com as horas que o telemóvel me mostra, a roupa leve e fina a colar-se ao corpo ainda húmido do banho e do vapor de água, já a minha mente cria uma lista do que tenho a fazer até ir para a cama. Eu própria sinto essa necessidade, tenho que me mexer, fazer algo, trabalhar. Até listo os meus afazeres para quando regressar ao trabalho após as minhas folgas! Nada mudou: as obrigações, os afazeres, as rotinas, a própria passagem do tempo. Mas ao menos a energia é outra, sinto-me renovada. E a esperança também se renova: um dia, talvez eu consiga mesmo percorrer a EN2! Nada é impossível até prova em contrário. Já me sinto outra!

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