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Sílabas à Solta

Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria | Fotos retiradas da internet

Sílabas à Solta

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DE BRUMAS, À CHUVA

20.01.21 | Sandra

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Estás sempre em dias como o de hoje, quando a chuva cai destemida e incessante ao passar das estrofes num papel rasurado. Nestes dias, veste-me a nostalgia com o cinzento macio do firmamento, e o vento acalma-se enquanto pousa as mãos nos meus ombros promíscuos, num gesto familiar e comum. Um dia lá atrás em que a chuva caía assim, contaste-me que no lugar de onde vieste, as brumas, das quais eras o senhor, estavam cerradas em mistérios, e no etéreo do limbo caminhavas como haragano impulsivo, entre o oculto de mundos paralelos. E chamaste-me de Alma Pura. Amei-te então, desde então, até hoje, como balança pura.

E hoje chove, a chuva torcida num rodopio brilhante de um céu ainda mais brilhante e quente, cheio de rimas e prazeres mudos. Escuto no som das gotas que embatem no mundo a melopeia que me fala de ti. Mostra-me sílabas de sonetos marginais, escritos em curvas mal iluminadas e cheias do que és. O teu nome e a chuva enrolam-se como dois amantes, e eu sinto na pele o ardor da tua falta. Hoje a chuva segredou-me ao ouvido que é preciso não segurar palavras nem ocultar gestos, pois as estações sucedem-se sem piedade e é imperativo aproveitar o embalo vertiginoso do tempo. Calo o impulso nas emoções que se atiram ao silêncio, abro a janela e entrego-me à chuva morna, cheia de títulos e desenhos sensuais. Cada um de nós sabe de cor o seu papel. O meu, neste dia de chuva, é dizer que gosto de ti. 

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