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Sílabas à Solta

POESIA | PROSA POÉTICA

Sílabas à Solta

POESIA | PROSA POÉTICA

PAUSA DA VIDA

15.07.21 | Sandra

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O regresso...

Férias. Perto, cercando ao alto a aldeia, montes imensos, cobertos de pinheiros, eucaliptos e calor impiedoso. Casas bem pintadas, adornadas nas suas cores, a brilhar vaidosas no branco brilhante do verão. Ruas empedradas, cheias de arbustos, flores e saudações, oferecendo recantos de sombras que abrigam gentes faladoras. O ar leve, impregnado dos perfumes das laranjeiras, dos limoeiros e dos fornos a carvão, onde cozem o pão típico e as cavacas. Os cães preguiçosos e os gatos presunçosos. O dia avança pelas lojas, a igreja, o jardim, os cafés animados, a praça de táxis. Penso vagamente em ti.

Reconhecimento...

A tarde que chega carrega nela um silêncio imenso, indescritível, palpável, quase irreal. Dentro das casas, fresco. Fora de portas, um calor insuportável que torna difícil respirar. Ruas vazias. Rebenta sem aviso prévio o zumbir ensurdecedor de todos os insetos, que abafam com a sua cantoria a hora dourada e estaladiça que escalda peles e paredes, os montes e as hortas, a ribeira quase seca, a barragem parada. Já não me lembrava que é sempre assim nos meses do calor. Agora, faz-se tudo presente, e é como se eu tivesse regressado a tempos de outrora, há tantos anos atrás. Que saudades!

Encanto...

O crepúsculo desce ainda muito quente, como um manto sobre telhados e ruas, poços, tanques, palheiros e currais. As gentes saem à rua para respirar a hora leve que há-de trazer a frescura da noite, arrefecer a terra, os caminhos. Conversas e risos. Lua em quarto crescente, alinhada com a estrela mais brilhante, num céu púrpura e rosa. Música algures. Um carro que passa e apita. Os grilos, as cigarras, os melros fazem-se ouvir. Vontade de amor... 

...

Hoje comecei novamente a sonhar contigo. Porque sim, porque quero, porque gosto de ti. Mais do que imaginas. Não estás perto, nem sequer das palavras que vou aqui deixando - e que não lês, apesar de teres sido tu a conduzir-me na escrita. Mas continuo a imaginar-te, a sonhar contigo. É assim que te trago comigo a esta aldeia onde sempre estive, e estou, mesmo durante os longos meses que me levam para a capital. Hoje sinto-me bem. E gosto de ti, muito, ainda mais um pouco. Amanhã? A vida continua, com tudo o que dela faz parte. Mas a fé no meu Deus ajuda-me imenso. Por ora, quero apenas a certeza destes momentos.

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