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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Sílabas à Solta

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REGRESSO A CASA

25.04.21 | Sandra

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Parto na manhã ainda pequena, quando o ar arrepia de frio e o orvalho mal começa a derreter-se nas ervas adormecidas. Na hora jovem, os telhados musgosos ainda estão despidos de pássaros, e nas estradas vazias só os primeiros raios de sol tocam o gélido alcatrão, pintando-o de reflexos cor de fogo. Conduzo em direção ao nascente, mar azul frio de águas paradas a acompanhar-me na viagem. O vento desperta com o dia que nasce. Vejo-o ondular as ervas secas das dunas imóveis, e roçar as árvores, que como sentinelas, olham firmes a marginal. O vento não tem som. São as árvores que cantam, quando o vento passa por elas e acaricia-lhes as folhas, as primeiras da estação. Pelos campos, já vastas extensões floridas pintam a paisagem de amarelo e lilás. Flores ainda tímidas no raiar do dia, na primavera que se mostra aos poucos. Tu não estás aqui. Gostarias deste lugar? Escreverias tu sobre o mar e as dunas, as árvores e o campo, as estradas e a manhã?

Continuo a conduzir, com o sol a elevar-se cada vez mais, a deslumbrar a paisagem enquanto a música que toca baixa embala as horas que me transportam de regresso a casa. E a paisagem acompanha-me sempre, fundida com recordações tuas, num misto de saudade e bem-estar por saber que existes.

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