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Sílabas à Solta

POESIA | PROSA POÉTICA

Sílabas à Solta

POESIA | PROSA POÉTICA

Encontro

08.09.20 | Sandra

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Chego ansiosa nas horas cheias. Vejo-te ao longe à minha espera, parado na quietude do teu jardim, cabelo despenteado pelo vento que te amansa as perguntas ainda não feitas. Caminho por aquele carreiro cravado entre velhas árvores, com inteira noção do momento presente.

Quando o auge da tarde inunda as nossas palavras olhas-me, olhar astuto, sem tempo contado. Recebes as minhas mãos nas tuas, que são como praia quente, sombras frescas, antigas promessas, sílabas estreitas.

Finjo estar serena. Um dia fui apenas gente entre gentes, e agora sou o absoluto de um abraço entre nós, feito reconhecimento. À nossa volta, as aves falam em segredo sobre o universo e estranhas naves que sem medo exploram outros mundos. Não as vemos mas sabemos que nos observam curiosas a partir das copas cerradas das árvores selvagens.

Em silêncios recatados, conduzes-me pelo braço para dentro do teu afeto que se dilui na enormidade do momento. E o momento é este, quando o meu sorriso envergonhado esbarra nas tuas certezas.

As aves calam-se, já não falam sobre naves e mundos por descobrir. A nossa alegria genuína ressoa por entre a tarde pintalgada de perdões e juras.

Quando o tempo se faz nosso cúmplice, o finalmente acontece: embrenhados na tua sala cheia do tanto que és, brindamos, celebrando a subtileza de um encontro há muito desejado. Numa tarde em que se perde facilmente a noção do início e do fim, só interessa o concreto, o sóbrio do momento presente, que ressoa no ar e nos aproxima até ao (in)esperado.

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