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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria, uns mais atuais que outros. Todos com fundo real. Imagens retiradas da internet. | Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Textos de minha autoria, uns mais atuais que outros. Todos com fundo real. Imagens retiradas da internet. | Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Sílabas à Solta

24
Nov20

ESTAÇÃO COR DO FOGO

Sandra

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É vago sentido
o que o outono derrama
no aconchego de douradas tardes
e nos cobres alaranjados da luz.
São doces os abraços
das meigas e cálidas  horas
que se perdem nas folhas secas,
filhas de um tempo maior.
É refúgio da brisa que sopra,
morna, no cair dos beijos teus
que quero quentes em mim
em outonais entardeceres de ouro.
Nos dias curtos dos embalos dados,
na dormência da meia-estação,
passam perenes pelos passeios,
passos teus, estação cor do fogo.
É entrega, embalo,
nas noites paradas de veludo
dos sonhos de outono, meus.

20
Nov20

A IDADE DO ESPANTO

Sandra

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São coloridos acordares
Nestas manhãs
Feitas dos sorrisos
Que, rindo, caem do sol,
E nuvens macias
Trocam segredos
No leito nu e morno
Do céu esquecido de acordar.

Na extensão dos secos prados
Descansam bravas, dóceis,
Ervas douradas e ondulantes;
Conversam com Deuses
Que se passeiam, altivos
Pela brisa cálida, de veludo.
Em praias distantes
De vastos areais
E eruditas, negras rochas,
Gaivotas compõem
Os murmúrios que o mar
Há-de ondular em calmas marés...
E o Mundo,
Aos poucos, desperta,
Espreguiça-se devagar,
Sacode bravos desertos,
As mais altas montanhas
Os grandes rios do mundo
As florestas mais densas.

E pousa, em esquecidas enseadas,
O Tempo sublime
Que sem pressa
Recria histórias
Reinventa trajetos
Embala a humanidade!
É este o momento,
A idade do espanto,
Em que me entrego
Sem incógnitas
A coloridas manhãs
Em todo o macio calor
Da nudez dos meus sentidos.

19
Nov20

ENFIM

Sandra

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Estou mais perto de ti. Finalmente, contrariando expetativas e probabilidades, perto outra vez. Também tu estás mais perto de mim. Ousaste cumprir esse teu impulso e agora temos todas as possibilidades abertas a nós. Sei tanto de ti e tudo se conjuga para aquele afeto sempre constante, sempre presente. Esse teu Guincho, cúmplice de tanto da tua vida e do todo que és, já molda ideias, alisa a areia fria da praia que nos aguarda, pede ao vento que seja gentil e ao sol que não desanime, já penteia a erva agreste que canta no frio. Conheço-te tão bem! No conforto da tua casa, entre cigarrilhas e um gin, olhar perdido no céu pesado e cru lá fora, já planeaste conjugações, hipóteses, decorrer de passos dados. Sei que face ao que de novo se apresenta, já o teu lado prático de homem maduro preparou a minha visita, tudo a postos. Sei que o outro teu lado, o mais puro, frágil e belo, se alegra surpreso, coração cauteloso mas tão feliz, que pulsa com essa mesma força que a Serra de Sintra de si emana. E no aconchego do teu lar, cairão palavras minhas, que vaguearam anos, loucas como gaivotas ao sabor dos ventos e das marés. No encanto da tua propriedade e da tua praia, onde te retraíste e te expandiste, poisarão enfim, como confissões e confirmações, as palavras de uma alma que se despe e renova. Anseio. Anseio-te, que tanto de humano tens. Anseio essa tua praia, recanto teu, que nos espera. Anseio o regresso à tua sala cálida e plena dos encantos do mundo. E de novo, num tremendo impasse, anseio-te, humilde e pleno homem. Como já se passaram sete anos....

18
Nov20

ALMA CRUA

Sandra

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É esse o teu espírito. Forte. Intenso. Audaz. Livre e libertador. Pairas no silêncio da tarde com a maciez do tempo que chega. À tua passagem tudo se torna certeza, deslumbre, resolução. E o vento espera, na pausa da hora parada. Nos dourados e castanhos da estação, folhas que caem trazem nelas os poemas do pólen que sobe e se despe no ar tépido, prenhe de ti. É o silêncio que, solene, te afaga esse solitário corpo que sempre me amarra os sentidos. Fico estática no impasse de qualquer gesto que possas fazer. É sempre assim. Sei que bastará um leve movimento teu e já eu estarei perdida em mim, rendida em ti, na mansidão dos tons quentes que nos toldam palavras. No poder que emana de ti, que devoro ávida, alma crua.

17
Nov20

BRUMA

Sandra

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Ainda é cedo mas já não sinto sono. Ou melhor, já não quero dormir mais, hoje isso não me diz nada! Mais uma manhã de névoa. Há seis dias que tem sido assim, no silêncio da manhã ou no embalo da noite calada: uma névoa branca, húmida, cerrada, que atenua a figura das árvores, candeeiros de rua, casas, carros que passam cautelosos. Hoje, tal como desde há seis dias para cá, não consigo ver da minha janela o mar lá ao fundo, a linha do horizonte, e para lá dela, as terras da outra margem. Tal como não me é possível ver a serra de Sintra, coroada pelo seu nostálgico Palácio. Só névoa. Que, estranhamente, surgiu e tem-se mantido, desde o dia em que definiste as tuas analises e certezas. Tuas. Na névoa, vejo-te, sinto-te. Não és tu o Senhor da Bruma? Sabes que sou de pressentimentos, e se sou, é porque todos eles têm-se revelado certos. Tu sabes, definiste o meu mapa. Balança pura. E a na névoa que me rodeia, pressinto-te chegado a mim. Não hoje mas num amanhã nada distante, que contraria números teus. Sinto-me tranquila. Hoje o dia é meu. Vou começar com aquele banho quente, demorado e relaxante, em que me entrego à fé, à tranquilidade, a mim mesma, ao meu corpo, à minha alma que te quer, sempre. Depois? O café e todas as essas horas que se desnudam à minha frente, completas com as minhas crenças, dúvidas e certezas, as minhas forças e o meu Deus. Horas que serão minhas aliadas e conselheiras, cheias do mistério que é esta névoa lá fora, nas ruas, e cá dentro, na alma. O mistério que és tu, meu amor, grande amor.

16
Nov20

HARAGANO

Sandra

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Gotas de nobres sentimentos
Intensas em silêncio meu
Levam no âmago a tristeza minha...

Sentidos vãos, de futuro despidos, 
Amor que te dou, toda de mim,
Recolho palavras doces tuas
Alegrias puras de outrora!
Imagens de ti, amor, meu amor
Valem todo o peso da noite
Alma tu, que nela habitas.

Horas nobres guardo-as eu
As que contigo sonhei, planeei,
Risos puros, então crentes...
Amor maior, maior ainda mais!
Gravo em mim esse nome teu
Agora que é só tudo o que me resta!
Nunca esmorecerá este sentir puro
O Haragano que não foi meu...

15
Nov20

SEMPRE

Sandra

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Se a lua trespassa estrelas
E na noite, só, entrego-me a elas,
Nada sou mais além que tua, 
Horas soltas, presas ao teu Tempo!
Oiço-te, ecos teus, Haragano,
Ressoam em mim dúvidas tuas.

Dou-te o amor que frágil, sou, e
A noite ecoa este render de alma...

Brilhos de limbos desamparados
Rumam ao firmamento quebrado!
Únicamente amor todo de dou
Mas de ti, meu amor, como o pedir?
Amor te terei; que de darei, sem ti?

14
Nov20

DESERTO MEU

Sandra

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É isto que fica. O deserto, o espaço vazio, que se mostra igual em todas e em qualquer direção. É isto que vejo agora, mesmo que hajam prédios, ruas, gentes, cães. Mesmo que ouça o vento a cruzar as folhas, as ervas, as flores. Mesmo que pise as sombras das árvores, das nuvens que beijam o céu, das aves que gritam no alto, a minha própria sombra. É isto: um deserto que vejo. Em meu redor, e pior, dentro de mim. E mais nada quero. Tomarei esse deserto como meu e amá-lo-ei com a mesma intensidade com que te amo. Pois esse deserto foi criado por ti meu amor, quando afastaste órbitas que finalmente, e apesar dos "apesares", eu estava já a aproximar. As órbitas ocorrem no universo poderoso, imenso. E estavamos lá, nesse universo que seria nosso, enfim. Hoje sou o deserto, e nele, sou pequenina, frágil, desolada e descrente. Com um coração gigante, cheio de tanto amor, este amor por ti, sem nada pedir, sem nada cobrar, apenas a vontade de te dar, de te amar, uma vontade imensurável. Apenas a vontade de ti, de sentir na minha pele, na minha alma, a bruma feita mistério, que és tu, o último dos últimos. Em vão, tudo.

13
Nov20

AMOR NA DOR

Sandra

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Já não estava habituada a amar. Já tinha esquecido tudo o que o amor faz ao coração de uma mulher. As dúvidas e as certezas. O par ou o ímpar. A coragem e o receio. O sonhar sem fim. Tudo à minha volta ter o embalo de uma luz especial, doce, quente, parecida com o teu nome. Já não estava habituada a acreditar, a avançar, a sorrir tão tímida na alma que se agiganta de esperança. Já não estava habituada a sentir este amor que tanto, tudo ocupa. Encheu-me o coração, a mente, a alma, o meu ser enquanto eu devagar derrubava incertezas e medos. Apaixonei-me. E agora não sei o que fazer com este amor que tem o teu rosto e o teu corpo. Como o afastar da noite que amo, amada por ti também? Como atenuar este tão grande amor no crepúsculo que antecede a noite? Como lhe pedir que se dilua da bruma que um dia me envolveu e do qual és o Senhor, que sinto conhecer desde tempos primordiais? Como olhar para lá do firmamento da tua poesia, do meu desejo, do desejado romance e do sonho, e ver as tuas mãos que prendem órbitas que lá à frente não seriam tangentes mas cruzar-se-iam inegavelmente? O que fazer com este amor tão sóbrio que despertaste em mim, alma de alma, último dos Vagabundos, que é minha grande, paixão derradeira? Como te encontrar, se te sentia parte em mim e eu própria já não me encontro? Como te pensar sem querer falar de amor, sem doer no meu peito e sem conseguir parar lágrimas mansas e cansadas que caem? O amor, esse, destruía aos poucos os impossíveis, que, saltitando entre passar de tempo, tornar-se-iam possibilidades.

Já não estava habituada a amar, até tu caires alma gémea, em mim. Aperto-te, meu amor, ao peito e nele te guardo, tu, ribombar do trovão, que me fez nascer de novo para nada de nada mais ser, não mais. O amor, este amor, é sempre maior que eu, pois não é só meu, é também teu, pois do meu peito foge para em vão, te alcançar. Ser feliz? Almas puras não têm direito a tanto... viverei apenas amando o amor que te tenho, enquanto no coração tanto te amo, meu amor."

12
Nov20

BOLA DE SABÃO

Sandra

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Elevas-me em sentimentos
que nascem de sopros,
sóbrias palavras,
que fortes voam
da tua boca, que quero minha.
São transparentes,
(em bola de sabão)
as vontades, o querer.
E frágil o espaço, 
o limite, o desejo,
entre o esperar e o acontecer!
Brilham na luz confissões, 
sobem alto vontades.
E no limiar, explode,
rebenta um "sim!",
a poesia, artimanhas,
que se despem em luz
no vago céu
do leve, corpo meu...

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