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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

DESPERTA

23.01.21, Sandra
Acorda-me a chuva vagarosa, lenta, a cantar poesias sobre os campos que se estendem vagos, para lá da praceta bem cuidada. Ervas e flores acomodam as suas raízes e compõem as suas folhas, para receberem as notas musicais cristalinas que a chuva delicada traz. Calam-se ao vento que pousa memórias pelos carreiros de terra batida, e delicadas e humildes, escutam as gotas finas e frágeis que se deitam risonhas, um pouco por toda a paisagem. Nas árvores nuas da praceta, alguns melros e (...)

DEITADA SOBRE TI

05.12.20, Sandra
Aos vastos campos a perder de vista, quando neles a erva ondula no dourado da tarde e, no céu alto, enquanto árvores dormem na preguiça da tarde, aves peregrinas voam: Nunca cedes, erva do campo! Nada te derruba, como se fosses pedra em muralhas de lendários castelos! O sol? Entregas-lhe alegre as tuas folhas despidas, ansiosas de se perderem no seu calor com prazeres de seda. A chuva? Como a desejas, erva do campo! É doce, intimo banho, em que gotas de água deslizam sem pressa até (...)

O QUE RESTA

16.11.20, Sandra
Gotas de nobres sentimentos, intensas em silêncio meu, levam no âmago a tristeza que sinto, sentidos vãos, de futuro despidos. Desse amor que te dou, toda de mim, recolho palavras doces tuas, alegrias puras de outrora! Imagens de ti, amor, meu amor, valem todo o peso da noite, alma tua, que nela habitas. Horas nobres guardo-as eu, as que contigo sonhei, planeei, risos puros, então crentes! Amor maior, maior ainda, mais agora! Gravo em mim esse nome teu, que é só tudo o que me resta (...)

LUZ LOIRA

31.10.20, Sandra
Renovo-me ao caminhar por extensos campos. Neles, sou todos os sonhos possíveis. E bebo, deliciada, a liberdade do ser e do estar - como se tudo o que menos bom há, não tivesse lugar em toda aquela vastidão. Em tardes douradas de sol quente, no céu alto voam as aves. Rasgam o azul infinito, sem nuvens nem pressa. Na terra seca, pálida, ervas e flores selvagens libertam aromas próprios, que pairam intensos no ar à minha volta. Caminho por caminhos não traçados na hora (...)

AMOR NA MANHÃ

30.10.20, Sandra
  Despe-se, a poesia, em palavras de cálida luz, pausada em livre manhã. É cetim escorregadio, macio, doce o poema, que desliza do corpo solto, encantado, aberto em rimas. Sentimentos translúcidos deitam-se na claridade que embala vontades, e afetos esfumam-se em desígnios perdidos de sol. No tranquilo conforto da luz que cede certezas, suspira a paz, a certa segurança, que esboça estrofes de nobres sentimentos. A luxúria pousa em delicado leito criado numa folha (...)

MÃO À NOITE

20.10.20, Sandra
Dá-me a tua mão. Deixa-me levar-te lá fora onde a noite se mostra. No horizonte, uma lua cheia sobe magnífica no céu de seda. Uma brisa morna sopra alto para lá dos cumes das serras embaladas na imensidão, onde as aves dormem das horas passadas. As águas do riacho repousam frescas e brilhantes sob um luar imenso que ilumina o silêncio escuro dos cantos, campos, casas, ruas, pontes. Há tanto que queria dizer-te... deixa-me falar-te baixinho de tudo e de nada. Lua cheia. O Tempo (...)

MEIA FLOR

19.10.20, Sandra
Flor, que em fogo efémero cativas as cores do campo, de que manhãs sem cor despiste tu perfumes esses sem fim? No sol que tomba frescuras de orvalho contas tu, flor, mistérios sentidos de tempos idos, pois de tão longe vieste... Flor, que em escondidos sorrisos cuidas do embalo das aves que no alto voam, tens livre alma de ventos tombados em velhos, vagos mundos! Danças nas pétalas que puras giram em palavras tuas de sabor a perdidos prados e caminhos de fim de dia. E sendo tu flor, femini (...)

APELO

12.10.20, Sandra
O sono faz-se presente mas não quero dormir. Sinto lá fora o apelo da noite. Baixinho, quase inaudível. Leve, discreto, solene. Nunca consigo negar-me quando esse chamamento se faz ouvir. A imensidão do universo que se pressente para lá do visível devora-me a alma. Não é só o céu escuro onde estrelas se abandonam à lua. É tudo, tanto mais! Distâncias tremendas entre objetos espaciais. Galáxias gigantes que em lentos rodopios varrem espaços cheios do quase nada. Planetas (...)

MENSAGEIRAS

11.10.20, Sandra
Aves mensageiras voam em bandos soltos pelas ruas. Sobrevoam telhados poeirentos e percorrem ideais tombados ao vento. Sou dona de todas as palavras que transportam e a todas elas eu mando chegar a ti. Dia após dia, no desenrolar silencioso do tempo, quando a estrela da alvorada ainda dorme, com um só gesto imperioso chamo-as e todas essas aves mensageiras calam a sua vontade para ouvir a minha voz. E à minha ordem, ganham impulso, batem asas na certeza dos meus desejos, e voam por (...)

SEM NEXO

10.10.20, Sandra
És um vago sentido, um mergulho sem nexo. És tudo aquilo que negava mas quero. Que até hoje afastava de mim, mas anseio. Não estás perto nem longe. Somente estás e eu sinto. Essa é a lógica: ausente, presente. E quem sem nexo mergulha, sou eu. Mergulho no que és, caminhos inquestionáveis que busco sempre sem ter como querer escapar, o meu cabelo em desalinho preso em dedos ávidos teus. Mergulho em devaneios onde não mando nos teus desejos, onde não questiono a tua boca, onde (...)