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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

BUSCA PELO NOME

15.01.21, Sandra
Tens pairado por aqui e por ali, alheia aos perfumes das gentes, aos cães que correm rua abaixo, aos comboios que sonham sobre o silêncio dos carris. Conversaste com todas as flores do campo e dormitaste no jardim bem cuidado. Viste a manhã chegar sobre os casebres dos caseiros e sentiste o aroma do musgo que cobria a água negra dos antigos tanques de lavar roupa. Certa manhã morna, viste o teu reflexo numa poça de água que ficou depois da chuva caída durante a noite e quiseste (...)

A DOIS PASSOS l

13.12.20, Sandra
Trabalho em co-autoria com O Eremita.   Acordara cansado, talvez pelo dia de ontem, não sabe, mas sentia-se cansado sem vontade de nada fazer, apenas ficar em casa. Olhou em volta e no meio daquela pequena divisão ainda dormiam os seus dois filhos, serenos, como que santificados e alheados das dificuldades da vida dura que lhes levava o pão à boca. A sua companheira já tinha partido, fazia pelos Passos dois anos, e nunca mais conseguiu ser o mesmo. Os filhos notavam, embora (...)

DEIXA-TE FICAR

11.12.20, Sandra
Deixa-te ficar neste embalo cadenciado da chuva que cai. Deixa-te estar, amor, ao meu lado, enquanto gotas brilhantes sorriem ao cair tontas de alegria de um apaixonado céu. Posso aconchegar-me a ti, no calor selvagem que do teu corpo se liberta? Escuta! Ainda cantam, alegres, os melros e as rolas! Fazem coro com o som das gotas transparentes que embatem em sonhos espalhados por aí. O mundo está lavado, fresco, brilhante, desperto. Há toda uma sonoridade diferente: pequenos riachos (...)

SAÍDO DO NEVOEIRO

09.12.20, Sandra
Há momentos capazes de mudar toda uma existência. Quando esses momentos acontecem, passado, presente e futuro fundem-se num tempo só. Porque esses momentos são raros pela magia e intensidade que libertam. São momentos de reencontro. Trazem consigo o cheiro da terra molhada pela primeira chuva que cai. Seduzem como as luzes de uma cidade à noite, vistas de um ponto muito alto. Serenam como o som do sino da igreja a tocar lá ao longe na aldeia. Deslumbram como constelações de (...)

MANHÃ NA PRAIA

04.12.20, Sandra
Ainda é cedo nas estou já desperta. Uma vez que não consigo dormir mais, aproveito para ir dar um passeio perto do mar, algo que raramente faço a esta hora. Já algumas pessoas estão espalhadas pelo areal, animadas. A areia está molhada até junto ao paredão, resultado da última maré cheia. Por todo o lado, pegadas de gaivotas e ramos partidos. Mais à frente, dois cães perseguem aos saltos um pombo que anda solitário ali pelo areal, e que parece divertir-se com a situação, (...)

CAMINHO

03.12.20, Sandra
É este o caminho certo que me leva a ti. É por aqui que, ávida da tua presença, sigo em direção à alegria de te reencontrar. Os meus passos jamais se cansam nesse caminhar que se faz leve, onde o chão deixa de ser duro e transforma-se em apelos teus, doces, ansiosos, felizes. Respiro cada raio de sol que parece indicar-me por onde devo seguir, e das altas folhagens tomba aquela sombra plena de respostas, que pousa gentil nas minhas convicções. Acompanha-me sempre um perfume (...)

MADRUGADA

01.12.20, Sandra
Há dias assim, em que a madrugada queda-se num silêncio sem forma e a infinidade de tudo parece nada abarcar. São horas paradas, leves e mal definidas, as da madrugada. Sonhos, dos que ainda no seu leito descansam, misturam-se às neblinas frias e silenciosas que sobem do mar e envolvem tudo à sua passagem, nesse momento indefinido. Ondas desfazem o areal, embatem nos rochedos, alheias às gaivotas que, já despertas, acompanham traineiras. Nos vastos campos, ervas orvalhadas, (...)

COMPREENSÃO

29.11.20, Sandra
O teu nome poderia ser Peregrino. Pelo menos foi assim que te vi naquela noite quente e infinita. Já tudo permanecia longe, no silêncio adormecido: a civilização, as cidades, as suas gentes, os seus cheiros e ruídos. Vi-te de longe. E logo aí senti-te como um Peregrino vindo de todos os lugares. Caminhavas pela areia dura e fresca, devagar mas sem hesitações, até à zona perto da rebentação. Aí paraste e ollhaste à tua volta, devagar, deslumbrado, como que vendo todo um novo (...)

ANALOGIA

26.11.20, Sandra
Provas as gélidas carícias que névoas sem perfume deixam abandonadas nas cores desbotadas, as tuas! Embrenhas-te silenciosa, a ti, na densa, branca claridade, sob o peso da suave geada que, como amante, se deita no teu corpo nu, frágil. Devolves-te calada, então, à inocência de ti mesma onde estremeces nesses teus desejos crus,  que resistem, vergados, à hora fria. A cada branco amanhecer sussurras à madrugada impávida (que se abstrai de ti) a tua vontade imperiosa de (...)

CHUVA CAÍDA

25.11.20, Sandra
Manhã de chuva mansa, ininterrupta. Tudo parece abarcar, puxar a si num único abraço ávido, enquanto cai vertical, humilde, frágil e sentida. A paisagem à minha volta parece submissa, rendida já sem força, a essa chuva que veio silenciosa de tantos e secretos lugares. A praceta, os relvados bem cuidados, os parques, estradas e  caminhos, prédios e carros, tudo se despe à chuva mole e insistente que tomba de um céu pleno, nostálgico. Deixo-me levar pela visão das gotas de (...)