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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

CISNES

26.02.21, Sandra
Silenciosamente, deslizas em águas tépidas, serenas, provocando à tua passagem ondulações que refletem o brilho da hora parada da tarde num sentimento de poder, exuberância. E olho-te sempre, alma plena da tranquilidade que se espalha em mim, esquecida já eu do tempo, do espaço, de tanto. Oiço, perto, o farol que desperta entre neblinas finas que se formam na manhã estranhamente quente e baça. E juntamente com o arrastar dos gemidos do farol sobre o mar calado para lá do (...)

VIAGEM

24.02.21, Sandra
Um dia levarei para longe tudo o que está a mais. Levarei receios, cansaços, dúvidas, tudo será levado para longe, através de caminhos soltos e leves. Serão estados de alma entregues ao vento, como um balão solto da mão de uma criança risonha, para o alto, onde deslizam nuvens despreocupadas entre a luz do sol que tudo abarca. Ou para onde, na noite, estrelas distantes nos olham, serenas, no seu papel constante e sereno de vigilantes. Um dia tudo será solto longe, no ar, nalguma (...)

DIA DE CHUVA

20.02.21, Sandra
Fui acordada ainda cedo pelo som da chuva a bater nos estores. E hoje o dia pertence-lhe, a essa chuva que cai em desalinho sobre telhados desolados, relvados bem cuidados, carros adormecidos, praceta vazia. Sopra um vento forte. Algumas folhas do chão são apanhadas num divertido rodopio, que se eleva no ar, para logo de seguida serem atiradas de novo no chão. Ouve-se o vento a assobiar ao longe, um som constante, fino e agudo, destemido, enquanto corre veloz por entre os prédios de (...)

FILHO MEU

18.02.21, Sandra
Posso sentar-me ao teu lado? Gosto de te ver ao sol, corpo repousado nalgum banco de pedra ali colocado há já muito tempo. É lindo esse momento tão teu, em que te esqueces das horas e de tanto mais, para apreciares, descontraído, a tarde dourada que se mostra a ti em toda a sua beleza e força. Tu também és muito belo e forte. És uma dádiva que todos os dias dá um real sentido a quem sou. Ensinaste-me o que é realmente importante: esperar pacientemente; sonhar sempre, apesar de (...)

DONO CERTO

05.02.21, Sandra
Costumas voar peregrino por descampados, onde a erva solta agarra geadas intemporais que o sol há-de capturar a si. Deixas cair de ti, cá em baixo, a tua vaga sombra, quando voas lá no alto, onde ventos frescos e sólidos sopram nomes que não conheces. É quando planas livre sem horas, nas horas azuis de um imenso céu, que te sentes maior que o tempo e o silêncio que ainda existe. Antes, vigiaste cumes desolados, muito longe daqui, quase sempre esquecidos pelo sol, tu e o teu negro (...)

TARDES TUAS

31.01.21, Sandra
Sei que a tarde te traz de volta a ti mesmo. Há muito tempo que é assim, não é? As tardes pertencem-te, mesmo quando se elevam enormes, tremendamente demoradas, arrastando-se mudas à tua frente! É nessa altura do dia que consegues respirar fundo as sedentas ideias que voam da tua alma como aves soltas ao vento, e que caminhas sobre singulares reflexões enquanto os teus pés te conduzem, em desespero, ao lago gelado perto da tua casa, de onde se avista lá ao fundo um mar escuro e (...)

LUZ

26.01.21, Sandra
És como uma luz que facilmente atravessa tempos e memórias, para iluminar as certezas ambíguas destes dias singulares. Com uma claridade ímpar, clareias espaços onde o deslumbre ainda marca os sentidos indefinidos. Consegues transformar os dias em cetim branco, brilhante, macio, como um ameno lugar na mente onde estão todos os sonhos de todos os tempos e lugares. Pressinto-te suave e doce em incessantes buscas das horas que virão, e o caminho é todo ele uma gota luminosa onde os (...)

DESPERTA

23.01.21, Sandra
Acorda-me a chuva vagarosa, lenta, a cantar poesias sobre os campos que se estendem vagos, para lá da praceta bem cuidada. Ervas e flores acomodam as suas raízes e compõem as suas folhas, para receberem as notas musicais cristalinas que a chuva delicada traz. Calam-se ao vento que pousa memórias pelos carreiros de terra batida, e delicadas e humildes, escutam as gotas finas e frágeis que se deitam risonhas, um pouco por toda a paisagem. Nas árvores nuas da praceta, alguns melros e (...)

PAPEL CUMPRIDO

20.01.21, Sandra
Voltas sempre na chuva que cai incessante e indiferente ao passar dos minutos. A nostalgia já nos vestiu do cinzento do dia e o vento acalmou-se ao pousar a mão leve nos nossos ombros. O frio segreda-nos ao ouvido que um beijo seria o ideal para aquecermos mãos e almas, mas as mãos são precisas para segurar os guarda-chuvas que nos abrigam de um amor improvável. Provavelmente, esse amor cairia molhado junto com as gélidas e pesadas gotas de água que escorregam das nuvens (...)

VIDA DE POMBO

18.01.21, Sandra
Pousaste as tuas interrogações. Averiguas sombras e recantos nos quais irás recolher os sonhos que ainda não tiveste. Contas minutos e decides ser ainda cedo. Voas nas tuas cores até onde o sol canta alegre e descansas o teu voo. Olhas o jardim que é teu, onde as flores sabem o teu nome e os ramos altos das árvores de fruto te acolhem dia após dia. As gentes passeiam-se por caminhos onde se cruzam com outros como tu, alheios às marés distantes e esquivos à pressa das (...)