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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

DESPERTA

23.01.21, Sandra
Acorda-me a chuva vagarosa, lenta, a cantar poesias sobre os campos que se estendem vagos, para lá da praceta bem cuidada. Ervas e flores acomodam as suas raízes e compõem as suas folhas, para receberem as notas musicais cristalinas que a chuva delicada traz. Calam-se ao vento que pousa memórias pelos carreiros de terra batida, e delicadas e humildes, escutam as gotas finas e frágeis que se deitam risonhas, um pouco por toda a paisagem. Nas árvores nuas da praceta, alguns melros e (...)

PAPEL CUMPRIDO

20.01.21, Sandra
Voltas sempre na chuva que cai incessante e indiferente ao passar dos minutos. A nostalgia já nos vestiu do cinzento do dia e o vento acalmou-se ao pousar a mão leve nos nossos ombros. O frio segreda-nos ao ouvido que um beijo seria o ideal para aquecermos mãos e almas, mas as mãos são precisas para segurar os guarda-chuvas que nos abrigam de um amor improvável. Provavelmente, esse amor cairia molhado junto com as gélidas e pesadas gotas de água que escorregam das nuvens (...)

VIDA DE POMBO

18.01.21, Sandra
Pousaste as tuas interrogações. Averiguas sombras e recantos nos quais irás recolher os sonhos que ainda não tiveste. Contas minutos e decides ser ainda cedo. Voas nas tuas cores até onde o sol canta alegre e descansas o teu voo. Olhas o jardim que é teu, onde as flores sabem o teu nome e os ramos altos das árvores de fruto te acolhem dia após dia. As gentes passeiam-se por caminhos onde se cruzam com outros como tu, alheios às marés distantes e esquivos à pressa das (...)

ALTIVO

12.01.21, Sandra
E ali estavas tu, olhando-me de frente, fim de tarde altivo, resplandecente, presente. Vislumbrei-te ao longe, e aproximei-me para te ver melhor. Sondei-te nas silhuetas escuras do dia que estava prestes a adormecer, e recebi-te no contraste dos ecos de palavras adormecidas também. E fiquei. Demorei-me no teu mistério, semblante de cores flutuantes que desciam em camadas lascivas no crepúsculo pendente. Um enquadramento perfeito de memórias vindas do tempo em que os homens planeavam (...)

EM MIM

11.01.21, Sandra
Repousa em mim, luz que o sol liberta ao dia. Recebo-te em júbilo, a ti, luz que desce sempre feita mistério, manhã após manhã. Pousa suavemente nesta minha pele que, sem entraves, te espera desde o clarear dos céus. Aquece-me suavemente como beijos que se dão e acaricia-me como a aurora acaricia os campos nus em orvalho puro. Fica em mim, luz. Abraça-me na tua claridade enquanto os lençóis estão quentes e nesse teu calor, luz que quero minha, deixa-me abraçar-te também! Como (...)

REFLEXOS

07.01.21, Sandra
São melancólicos reflexos as manhãs que me acordam com pinceladas de saudades dos telhados que brilham ao sol e das aves que voam em círculos para lá das golfadas dos dias que chegam. Refletem-se ao céu aberto palavras jamais ditas ou deixadas por dizer, e a erva dorme nas colinas dormentes, alheias ao reflexo das tuas mãos que não dormiram em mim. Flores em prados insondáveis dançam amenas ao mundo e segredos caiem-lhes aos pés de onde estas manhãs brotam por (...)

SE TUA

04.01.21, Sandra
Se sou tua, tua sou, então! Pega nessas palavras que arrebatado, siderado, desenhas no espaço vago que se abre a ti, e deixa-as caírem das tuas ansiosas mãos, desfeitas em sílabas à solta, despejadas leves, ao longo de mim! Esperei-te desde o inicio do sempre: ama-me, então, que te quero, que já anseio palavras tuas silêncios selvagens, deitados, em crua folha, chumbo nobre. Sou tua! Em letras garridas de cetim repouso, sonhando, esperando, por ti, em ti...

AREAL

03.01.21, Sandra
A tua infinitude revela-se em vastidão de incontáveis grãos de areia, deitados às carícias do vento que se arrasta ágil, sobre ti. Despes-te do sol, que do alto ilumina-te de altivo dourado e respiras leves poemas esquecidos de apaixonados amantes de outrora. Livre na tua imensidão, entregas-te à liberdade de um mar sem fim, em intermináveis diálogos com as ondas que se desfazem naquele limite que parece separar mar de terra. É onde acolhes gaivotas em bandos, que (...)

SER MAIS

29.12.20, Sandra
Nada me encanta mais do que aquilo que eu sinto quando após o cinzento dos dias brilha a luz do sol. Algo maior que eu, que todos nós, lembra-me que ainda é possível acreditar, que o sonhar nem sempre é em vão e que temos direito a sermos nós mesmos, com tudo o que de bom e menos bom nos caracteriza enquanto espécie humana. Há dias assim, em que a força sai para fora de nós e eleva-nos a outros patamares. Em que algo no nosso íntimo sussurra que vale a pena rir, fazer mais, ser (...)

ENIGMA CALADO

19.12.20, Sandra
E finalmente, de novo tu, manhã! Cálida, silenciosa, imensa, toda tu, inteira...  beija-me, fresca, minha amante luz! Do outro lado da noite o enigma calado, a incerteza que é o sono, um nada que tudo abate, mas agora tu, manhã plena!  Afaga-me em doces nuvens, secretos meus, em ti. E até o orvalho ousa pulsar no supremo aroma de abraços vincados  que ao vento flutuam...  E o sorriso entrega-se, descuidado e sem pudores, todo ele, ao Sol, no meu corpo que se oferece... Guar (...)