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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria, uns mais atuais que outros. Todos com fundo real. Imagens retiradas da internet. | Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

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Sílabas à Solta

27
Ago20

CONFUNDES-ME

Sandra

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Confundes-me. Não sei como avaliar o que sinto. O que me fazes sentir. Os alicerces que construí como certezas, tremem já. Convições começam a ceder. O que eu tinha estipulado como definitivo, aos poucos, está cheio de fendas como uma parede rachada pronta a ruir. Por ti. Para ti. Mas confundes-me.

De novo, tudo aquilo de que eu me resguardava: as incertezas, os pontos de interrogação, as frases inacabadas, os "E se?". Reticências. Artigos indefinidos. Eu não queria um amor. Senhora do meu nariz, não estava nos meus planos abdicar do que demoliste em mim. Não queria de novo o sonho, a saudade, a expetativa, a dúvida, o querer e a raiva.

Mas alguma vez tinha que ser, não é? Tinha que, vindo sei lá de que outros mundos e de que outros tempos, surgir alguém para remexer os meus sentimentos, a minha tranquila essência, as minhas cálidas certezas. Tinhas que chegar, não é?

Eu sei, não se pode caminhar longe do amor por muito tempo. Algures escondia-se o cupido, lenta a sua espera, determinado a cumprir a sua missão, desejoso de me confrontar:

"Eu avisei! Podes fugir mas não te podes esconder!".

Traiçoeiro. Eu não queria sentir o que sinto. Porque tu confundes-me.

Em ti, não distingo ainda o que é real entre todo esse sentir que vem no silêncio da noite. Desconheço até onde me levaria toda esta minha nova vontade em crer. Receio cada letra que tímida te entrego, ignorante quanto às expetativas de uma alma que é toda ela sentimento. Poderia pedir-te que não te precipites quando, em jeito de confissão, me dou? Poderia eu pedir-te que fales comigo se alguma dúvida houver quando um sentimento, ou uma afirmação minha, desajeitadamente te cedo? Fazes isso? Combinado? Diz que sim...

Sei que te esqueces de que ainda não sei falar de mim, ainda não sei ligar sílabas à solta e escrever preto no branco. Ainda não sei falar-te de amor. Daquele que eu sinto já a querer insinuar-se em mim e que eu tentava, de forma enganadora, em vão, manter distante. Tão ingénua eu era, sempre certa de tudo saber!

E eu, assim, rendida a ti. Sem saber se é um fim ou um princípio. De novo os receios, as inseguranças. Ser menina. Questionando tudo. Tocada por algo que vivia lá longe, do outro lado do horizonte, e que veio escondido em nevoeiros entre as ondas do mar. Tinhas que ser tu. No meio da minha prosa, a tua poesia. Tu confundes-me e eu gosto de ti.

Cupido traiçoeiro, é hora da desforra: qualquer dia quebro-te as setas!

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