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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

PAPEL CUMPRIDO

20.01.21, Sandra
Voltas sempre na chuva que cai incessante e indiferente ao passar dos minutos. A nostalgia já nos vestiu do cinzento do dia e o vento acalmou-se ao pousar a mão leve nos nossos ombros. O frio segreda-nos ao ouvido que um beijo seria o ideal para aquecermos mãos e almas, mas as mãos são precisas para segurar os guarda-chuvas que nos abrigam de um amor improvável. Provavelmente, esse amor cairia molhado junto com as gélidas e pesadas gotas de água que escorregam das nuvens (...)

ESPERANÇA

14.01.21, Sandra
A manhã sentou-se a meu lado. Encheu-me de vagares e fez-me todas as promessas do mundo. Falou-me de fé, enquanto a dourada claridade me acolhia doce, no seu colo. No calor do dia que se revelava e despertava em brilhos o campo ao meu redor, certezas tornavam-se inabaláveis. E a manhã falou-me de ti. Escutei-a nessa luz dourada que me abraçava em sorrisos. Disse-me que te conhecia desde as primeiras letras desenhadas pelo Homem na terra agreste e dura de outrora, quando cometas (...)

DEITADA SOBRE TI

05.12.20, Sandra
Aos vastos campos a perder de vista, quando neles a erva ondula no dourado da tarde e, no céu alto, enquanto árvores dormem na preguiça da tarde, aves peregrinas voam: Nunca cedes, erva do campo! Nada te derruba, como se fosses pedra em muralhas de lendários castelos! O sol? Entregas-lhe alegre as tuas folhas despidas, ansiosas de se perderem no seu calor com prazeres de seda. A chuva? Como a desejas, erva do campo! É doce, intimo banho, em que gotas de água deslizam sem pressa até (...)

LUZ LOIRA

31.10.20, Sandra
Renovo-me ao caminhar por extensos campos. Neles, sou todos os sonhos possíveis. E bebo, deliciada, a liberdade do ser e do estar - como se tudo o que menos bom há, não tivesse lugar em toda aquela vastidão. Em tardes douradas de sol quente, no céu alto voam as aves. Rasgam o azul infinito, sem nuvens nem pressa. Na terra seca, pálida, ervas e flores selvagens libertam aromas próprios, que pairam intensos no ar à minha volta. Caminho por caminhos não traçados na hora (...)

DESARMADA

26.09.20, Sandra
Viajo no silêncio do tempo ao teu encontro, num espaço que não conheço. Alcanças-me tu, enquanto o universo devagar se expande. És fugitivo cometa que me carrega entre cerradas nebulosas onde estrelas nascem. Fecho os olhos, saboreio golfadas finas de luz. Desarmo em mim forças poderosas quando pressinto a tua respiração que me arrebata nessa viagem. Com a força da gravidade sou elevada a um teu querer, mais antigo que tudo. És feito da mesma luz que atravessa poderosa um (...)

MANHÃS

24.09.20, Sandra
Aconchego-me no vagaroso acordar sob o intenso sossego da hora em que a madrugada ainda se impõe! Respiro a serenidade e leveza adormecida de cada começar do dia. Quando tudo repousa fresco, arrumado, leve e limpo; quando o mundo desperta aos poucos do seu silêncio para lá do horizonte e os cheiros da natureza dominam pairando no ar frio e sólido. Gosto de me entregar ao nascer do dia, de apreciar o sol a aparecer majestoso por trás dos prédios, a elevar-se acima dos telhados (...)

LUZ VESTIDA EM MIM

23.09.20, Sandra
Procuro-te sempre, presente luz que desmente o meu escuro. E se fosses sol, lua, outras estrelas? Eu? Sou apenas como mariposa que persegue a claridade que deixas caída no caminho de palavras tuas. Nem sei outro rumo senão caminhar em procura de ti por espaços brilhantes de horas tuas que tomo como minhas... Porque é que feliz te penso? Anseio-te e alegro-me em palavras tuas como se nelas bebesse o ânimo que me ilumina. Porquê este meu sentir que se deita sem porquês em sentimentos teus? (...)

22.09.20, Sandra
Porque, alguma vez no tempo, todos tivemos horas de cansaço... No vazio da incerteza procuro o sono. Só nesse universo oculto poderei crer em sorrisos do mundo. Ilusões tropeçam em terra seca para caírem ao chão. O desengano deixou pegadas em caminhos que não se devem percorrer. São pontes instáveis onde rios bravos correm por baixo, derrubando passagens com os seus rasgados caudais. Desamores nascem como flores bravias entre as gastas pedras do caminho. Sigo cautelosa. E (...)

QUANDO PRAIA

21.09.20, Sandra
Não estou lá mas sei. Sei que após olhares as tuas árvores seculares sairás para caminhar pela praia desolada. Os teus sapatos a marcarem a areia fria, dura, naquele lugar, mais teu que de outro alguém. Está frio. No areal de aspeto triste, desolado, só algumas gaivotas meditam a tarde cinzenta. O teu cabelo tem a leveza da espuma branca, arrepiada das ondas tristes e adormecidas que mal se ouvem; o mar cinzento e opaco está imóvel. Sentas-te naquele tronco enorme que um dia foi (...)

ESCOLHER PALAVRAS

12.09.20, Sandra
Libertaste-me! Sou leve, enfim, feliz, sem remorsos! Penas, jogos, esquemas... sou livre, de novo! As palavras certas Disseste-as tu! Na porta fechada abriste-me janelas ao mundo, agora eu! Alegria! Solto-me na manhã! Hoje já tudo lá vai, onde tu vais também! E já nada será mudado, Nada novo entre nós... Sorrio, estou leve! Não tens como retroceder: Pelas vezes que perdi hoje, ganho eu! Já não tenho que escolher palavras pesar sentidos medir significados! Libertaste-me de ti sob (...)