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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

CERTEZAS FRIAS

05.01.21, Sandra
São noites gélidas, estas. Pressentem-te pensamentos singulares que o frio sempre me trás, sentimentos chegados do passado longínquo, ao agora. É isso mesmo que acabará por acontecer, conforme a lua for subindo no céu que por ela se deixa, sem esforço e com agrado, dominar. Tenho a sensação de que se eu falasse com a noite, ela me responderia. Está um frio duro, cortante. Nada se move no jardim e nos campos à minha frente. Nem uma folha, nem uma erva. E nem um fragmento de (...)

NOITE SÓBRIA

26.12.20, Sandra
  Chamaste-me na noite sóbria quando a brisa calava mundos dentro de nós. O Universo aproximou-se silencioso, deitou-se luminoso em nosso redor, cedendo-nos clarões de imensas estrelas que seriam nossas. No nada, gerou-se tudo, quando sentados no espaço sem caos respiramos as águas macias que nos murmuravam salgados reflexos. Sentados rendidos à maciez do luar sem idade, a tua mão quente envolveu a minha e, no Universo em silêncio, tudo entre nós foi dito. E o mundo brilhou! (...)

ABERTO MISTÉRIO

21.12.20, Sandra
Em cruas noites, naquele antigo clube de boémias gentes e velhos hábitos, o tempo faz-se sempre novo e eu sou cada vez mais eu, alma pura a descoberto! Em mesas cheias, pousam os fumos, cheiros, gargalhadas, olhares indiscretos! À fraca luz, és o som que pousa na minha pele, em subtilezas que me provocam. Foi sempre assim... Sorrio-te, sentada à mesa... sorriso discreto, maroto, na direção de promessas ditadas vindas de acordes esses, os teus! Tocas-me de longe, dono do palco, (...)

ESTRELA TU

14.12.20, Sandra
Podia ser a queda de uma estrela, essa que és tu, afinal. Mas não é assim que te assumo. Continuas a brilhar alto, uma imensa estrela no meio de tantas outras, talvez a mais colorida, que dorme enroscada ao firmamento de veludo. Sei que deixaste expetativas soltas no Tempo, palavras penduradas em árvores despidas, sonhos em rochedos onde só as gaivotas vão ao encontro das ondas do seu mar. Pedaços da tua alma permanecem flutuando nos anos que passaram e nos lugares por onde (...)

RELAXAR

07.12.20, Sandra
É noite. Vinda do trabalho, estaciono o carro (não tão perto de casa como gostaria) e, desta vez, deixo-me estar ali uns instantes, permito-me o tempo suficiente para relaxar. Olho a noite. O dia esteve quente e o ar noturno ainda está muito agradável. Algumas árvores e arbustos abanam ao sabor do vento fraco. Olho o céu, as estrelas. Uma, mais brilhante, parece-me ser Vénus (supostamente visível a olho nu, nestes dias). Mas não tenho a certeza. Nestes tempos pareço não ter (...)

COMPREENSÃO

29.11.20, Sandra
O teu nome poderia ser Peregrino. Pelo menos foi assim que te vi naquela noite quente e infinita. Já tudo permanecia longe, no silêncio adormecido: a civilização, as cidades, as suas gentes, os seus cheiros e ruídos. Vi-te de longe. E logo aí senti-te como um Peregrino vindo de todos os lugares. Caminhavas pela areia dura e fresca, devagar mas sem hesitações, até à zona perto da rebentação. Aí paraste e ollhaste à tua volta, devagar, deslumbrado, como que vendo todo um novo (...)

IMENSA NOITE

04.11.20, Sandra
Sento-me nos degraus de madeira que descem do alpendre. Na noite, expande-se ainda o universo que hoje é aconchego do teu abraço no meu. As horas há muito que já partiram para outras esferas. Desfizeram-se como poeira cósmica que se eleva ao céu. Deixaram para trás o silêncio, a nobreza da calma, a placidez dos sentidos. Longe vão os ventos e as vozes. Agora ficam só os sons da noite, do embalo, da cadência e da rendição ao infinito, ao mistério que me cerca. Pressente-se a (...)

FLUlR

02.11.20, Sandra
  O tempo caminha sob a sua própria vontade, pois não tem como dela escapar: dias e noites sucedem-se num ciclo infindável e desinteressado. Mas é preciso parar. Dar tempo ao próprio tempo. Separar o dia, da noite. E a noite, cúmplice que nunca deserta, já doce me espera. Dispo de mim as roupas que comigo partilharam as horas que já lá vão e deixo-as caídas no chão, junto com sentimentos, ideias, cansaços, receios. Num relaxante banho deixo a água levar o que fui no dia que (...)

HORA DO REPOUSO

21.10.20, Sandra
A tarde vai avançada, tempo de abrandar. Sento-me nas horas do descanso que embalam a imaginação desperta em mim. Chove. A chuva também me molha pensamentos, abstrações, sentimentos e rascunhos. Brotam desejos da alma e asas voam de sonhos meus como pautas ao vento. Mas é tempo de repouso agora. Antigas vozes de profetas soltam notas de poemas amestrados feitos a música que ouço: são gentis memórias que sobem na chuva incansável que desce. Os minutos prosseguem a sua jornada (...)

MÃO À NOITE

20.10.20, Sandra
Dá-me a tua mão. Deixa-me levar-te lá fora onde a noite se mostra. No horizonte, uma lua cheia sobe magnífica no céu de seda. Uma brisa morna sopra alto para lá dos cumes das serras embaladas na imensidão, onde as aves dormem das horas passadas. As águas do riacho repousam frescas e brilhantes sob um luar imenso que ilumina o silêncio escuro dos cantos, campos, casas, ruas, pontes. Há tanto que queria dizer-te... deixa-me falar-te baixinho de tudo e de nada. Lua cheia. O Tempo (...)