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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria, uns mais atuais que outros. Todos com fundo real. Imagens retiradas da internet. | Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Textos de minha autoria, uns mais atuais que outros. Todos com fundo real. Imagens retiradas da internet. | Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Sílabas à Solta

19
Nov20

ENFIM

Sandra

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Estou mais perto de ti. Finalmente, contrariando expetativas e probabilidades, perto outra vez. Também tu estás mais perto de mim. Ousaste cumprir esse teu impulso e agora temos todas as possibilidades abertas a nós. Sei tanto de ti e tudo se conjuga para aquele afeto sempre constante, sempre presente. Esse teu Guincho, cúmplice de tanto da tua vida e do todo que és, já molda ideias, alisa a areia fria da praia que nos aguarda, pede ao vento que seja gentil e ao sol que não desanime, já penteia a erva agreste que canta no frio. Conheço-te tão bem! No conforto da tua casa, entre cigarrilhas e um gin, olhar perdido no céu pesado e cru lá fora, já planeaste conjugações, hipóteses, decorrer de passos dados. Sei que face ao que de novo se apresenta, já o teu lado prático de homem maduro preparou a minha visita, tudo a postos. Sei que o outro teu lado, o mais puro, frágil e belo, se alegra surpreso, coração cauteloso mas tão feliz, que pulsa com essa mesma força que a Serra de Sintra de si emana. E no aconchego do teu lar, cairão palavras minhas, que vaguearam anos, loucas como gaivotas ao sabor dos ventos e das marés. No encanto da tua propriedade e da tua praia, onde te retraíste e te expandiste, poisarão enfim, como confissões e confirmações, as palavras de uma alma que se despe e renova. Anseio. Anseio-te, que tanto de humano tens. Anseio essa tua praia, recanto teu, que nos espera. Anseio o regresso à tua sala cálida e plena dos encantos do mundo. E de novo, num tremendo impasse, anseio-te, humilde e pleno homem. Como já se passaram sete anos....

15
Nov20

SEMPRE

Sandra

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Se a lua trespassa estrelas
E na noite, só, entrego-me a elas,
Nada sou mais além que tua, 
Horas soltas, presas ao teu Tempo!
Oiço-te, ecos teus, Haragano,
Ressoam em mim dúvidas tuas.

Dou-te o amor que frágil, sou, e
A noite ecoa este render de alma...

Brilhos de limbos desamparados
Rumam ao firmamento quebrado!
Únicamente amor todo de dou
Mas de ti, meu amor, como o pedir?
Amor te terei; que de darei, sem ti?

13
Nov20

AMOR NA DOR

Sandra

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Já não estava habituada a amar. Já tinha esquecido tudo o que o amor faz ao coração de uma mulher. As dúvidas e as certezas. O par ou o ímpar. A coragem e o receio. O sonhar sem fim. Tudo à minha volta ter o embalo de uma luz especial, doce, quente, parecida com o teu nome. Já não estava habituada a acreditar, a avançar, a sorrir tão tímida na alma que se agiganta de esperança. Já não estava habituada a sentir este amor que tanto, tudo ocupa. Encheu-me o coração, a mente, a alma, o meu ser enquanto eu devagar derrubava incertezas e medos. Apaixonei-me. E agora não sei o que fazer com este amor que tem o teu rosto e o teu corpo. Como o afastar da noite que amo, amada por ti também? Como atenuar este tão grande amor no crepúsculo que antecede a noite? Como lhe pedir que se dilua da bruma que um dia me envolveu e do qual és o Senhor, que sinto conhecer desde tempos primordiais? Como olhar para lá do firmamento da tua poesia, do meu desejo, do desejado romance e do sonho, e ver as tuas mãos que prendem órbitas que lá à frente não seriam tangentes mas cruzar-se-iam inegavelmente? O que fazer com este amor tão sóbrio que despertaste em mim, alma de alma, último dos Vagabundos, que é minha grande, paixão derradeira? Como te encontrar, se te sentia parte em mim e eu própria já não me encontro? Como te pensar sem querer falar de amor, sem doer no meu peito e sem conseguir parar lágrimas mansas e cansadas que caem? O amor, esse, destruía aos poucos os impossíveis, que, saltitando entre passar de tempo, tornar-se-iam possibilidades.

Já não estava habituada a amar, até tu caires alma gémea, em mim. Aperto-te, meu amor, ao peito e nele te guardo, tu, ribombar do trovão, que me fez nascer de novo para nada de nada mais ser, não mais. O amor, este amor, é sempre maior que eu, pois não é só meu, é também teu, pois do meu peito foge para em vão, te alcançar. Ser feliz? Almas puras não têm direito a tanto... viverei apenas amando o amor que te tenho, enquanto no coração tanto te amo, meu amor."

18
Out20

TU, FEITO ÁGUA

Sandra

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Envolve como tépidas águas esta minha alma amante que te reconheceu como lugar. Embrulha-me nessa tua vastidão que atravessa tempos, mares e embalos todos teus. Sinto-te imensidão sem paralelo que emerge nos meus sentidos... e só sei deste meu abandono que se dá em ti. Tens o mistério da água que comigo se mistura intemporal em secretos anseios meus. Lembro-te uma, tantas vezes, e permanece só o querer dessa frescura tua neste meu apaixonado corpo que se abandona à transparência do teu ser.

Em despidas noites de luar e longíquas estrelas perdidas, desejei-te tanto! Ainda desejo...

Sinto-me mergulhar sem resistência nesse teu sentido que como água cristalina me seduz sempre, sem dimensão. Sacia-me então esta sede de te amar em tempo desnudo de horas! Saboreio-te devagar em ilusões no silêncio vertido de um sonho meu e sorvo de ti este meu colossal desejo que me persegue. Atiro-o a águas cálidas, intemporais, pois não sei se me pertence ainda este meu querer a ti, que quer ser teu também. Já nada sei do que é. 

12
Out20

APELO

Sandra

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O sono faz-se presente mas não quero dormir. Sinto lá fora o apelo da noite. Baixinho, quase inaudível. Leve, discreto, solene. Nunca consigo negar-me quando esse chamamento se faz ouvir. A imensidão do universo que se pressente para lá do visível devora-me a alma. Não é só o céu escuro onde estrelas se abandonam à lua. É tudo, tanto mais! Distâncias tremendas entre objetos espaciais. Galáxias gigantes que em rodopios varrem espaços cheios do quase nada. Planetas cujos movimentos emitem sons que só sofisticados aparelhos conseguem captar. Órbitas que contrariam as leis da física. Colisões e explosões que se julgavam impossíveis de acontecer. E o mistério de tudo. O mistério do primeiro começo, do princípio e do fim, da transformação, do inalcançável. E a sede de querer saber, querer descobrir, querer ver.

Na sua generosidade, o firmamento deixa-nos contemplar no seu silêncio as estrelas da noite. É a elas que me entrego sem pressa. Antes que outras noites venham, esta se fará dia. Mas antes ainda, enquanto o mistério flui entre mim e a noite, sou tocada por um outro mistério paralelo ao céu de cetim preto. Sei que estás algures, dormindo ou olhando as mesmas estrelas, tanto faz. Não sei a que distância real estás mas na noite, nesta precisa noite, estás mesmo aqui. Porque sim. Porque eu quero. Porque tens em mim o mesmo efeito da noite: fazes-me sentir um apelo, um chamamento ao qual não consigo negar-me. Ganhaste.

27
Ago20

CONFUNDES-ME

Sandra

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Confundes-me. Não sei como avaliar o que sinto. O que me fazes sentir. Os alicerces que construí como certezas, tremem já. Convições começam a ceder. O que eu tinha estipulado como definitivo, aos poucos, está cheio de fendas como uma parede rachada pronta a ruir. Por ti. Para ti. Mas confundes-me.

De novo, tudo aquilo de que eu me resguardava: as incertezas, os pontos de interrogação, as frases inacabadas, os "E se?". Reticências. Artigos indefinidos. Eu não queria um amor. Senhora do meu nariz, não estava nos meus planos abdicar do que demoliste em mim. Não queria de novo o sonho, a saudade, a expetativa, a dúvida, o querer e a raiva.

Mas alguma vez tinha que ser, não é? Tinha que, vindo sei lá de que outros mundos e de que outros tempos, surgir alguém para remexer os meus sentimentos, a minha tranquila essência, as minhas cálidas certezas. Tinhas que chegar, não é?

Eu sei, não se pode caminhar longe do amor por muito tempo. Algures escondia-se o cupido, lenta a sua espera, determinado a cumprir a sua missão, desejoso de me confrontar:

"Eu avisei! Podes fugir mas não te podes esconder!".

Traiçoeiro. Eu não queria sentir o que sinto. Porque tu confundes-me.

Em ti, não distingo ainda o que é real entre todo esse sentir que vem no silêncio da noite. Desconheço até onde me levaria toda esta minha nova vontade em crer. Receio cada letra que tímida te entrego, ignorante quanto às expetativas de uma alma que é toda ela sentimento. Poderia pedir-te que não te precipites quando, em jeito de confissão, me dou? Poderia eu pedir-te que fales comigo se alguma dúvida houver quando um sentimento, ou uma afirmação minha, desajeitadamente te cedo? Fazes isso? Combinado? Diz que sim...

Sei que te esqueces de que ainda não sei falar de mim, ainda não sei ligar sílabas à solta e escrever preto no branco. Ainda não sei falar-te de amor. Daquele que eu sinto já a querer insinuar-se em mim e que eu tentava, de forma enganadora, em vão, manter distante. Tão ingénua eu era, sempre certa de tudo saber!

E eu, assim, rendida a ti. Sem saber se é um fim ou um princípio. De novo os receios, as inseguranças. Ser menina. Questionando tudo. Tocada por algo que vivia lá longe, do outro lado do horizonte, e que veio escondido em nevoeiros entre as ondas do mar. Tinhas que ser tu. No meio da minha prosa, a tua poesia. Tu confundes-me e eu gosto de ti.

Cupido traiçoeiro, é hora da desforra: qualquer dia quebro-te as setas!

23
Ago20

AMA-ME

Sandra

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... e perco-me no sentido do nada remetido a tudo o que és!
Terceiro carril.
Selada a frágil luz dourada
em angelical madrugada,
já as tuas mãos em mim conetam o meu corpo
a outras esferas: 
mundos insondáveis,
de notas subtis, cristalinas.
Já desisti, já me rendi.
Sou tinir de cristal,
frágil gelo quebrado
em vibrações que me sobem
à altura de um firmamento
onde místicos,
gigantes deuses, habitam.
O teu olhar de mar azul mistério
há muito que arrebatou certezas onde forte me escondia.
De tudo o que ficou,
sorvo invisivel embriaguez de alma, refaço-me sedenta do teu tudo. Vou enfim, em mim, reencontrar-te.

Desvaneço-me atordoada,
escrava em desejos opalinos, imperativos que comandam ocultos a roda primitiva da vida.
Que estrelas caiam!
Que torpores adormeçam vulcões! Que vagas desfaçam rochedos! Vences, azul no olhar!
Em profundas, vastas planícies
como noite te passeias;
já nada meu quero,
nenhum eu que não tu,
fragata empurrada por silenciosos ventos vindos de longe.
Não treme ansioso
o meu corpo teu,
no eco de palavras devoradas?
Submissa tua, finalmente,
derradeira paixão na Terra,
onde como bússola em mapa me pousas.
Ama-me sem rumo.

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