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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

BASTA-ME

02.02.21, Sandra
Aguardo-te em cada neblina que sobe, onde pinheiros e eucaliptos sopram murmúrios de musgo. Chegaste de longe, quando o Tempo era um só, e os dias sempre se uniam às noites na mudança das estações. Nesses tempos distantes, músicas ecoavam no firmamento e segredos dormiam nas nuvens da madrugada. No silêncio imenso, guerreiros e fadas coexistiam em horas que perduravam. Tu eras então como uma espécie de viajante. Conhecias todos os lugares, os mais óbvios e os mais escondidos (...)

LUZ

26.01.21, Sandra
És como uma luz que facilmente atravessa tempos e memórias, para iluminar as certezas ambíguas destes dias singulares. Com uma claridade ímpar, clareias espaços onde o deslumbre ainda marca os sentidos indefinidos. Consegues transformar os dias em cetim branco, brilhante, macio, como um ameno lugar na mente onde estão todos os sonhos de todos os tempos e lugares. Pressinto-te suave e doce em incessantes buscas das horas que virão, e o caminho é todo ele uma gota luminosa onde os (...)

DESPERTA

23.01.21, Sandra
Acorda-me a chuva vagarosa, lenta, a cantar poesias sobre os campos que se estendem vagos, para lá da praceta bem cuidada. Ervas e flores acomodam as suas raízes e compõem as suas folhas, para receberem as notas musicais cristalinas que a chuva delicada traz. Calam-se ao vento que pousa memórias pelos carreiros de terra batida, e delicadas e humildes, escutam as gotas finas e frágeis que se deitam risonhas, um pouco por toda a paisagem. Nas árvores nuas da praceta, alguns melros e (...)

PAPEL CUMPRIDO

20.01.21, Sandra
Voltas sempre na chuva que cai incessante e indiferente ao passar dos minutos. A nostalgia já nos vestiu do cinzento do dia e o vento acalmou-se ao pousar a mão leve nos nossos ombros. O frio segreda-nos ao ouvido que um beijo seria o ideal para aquecermos mãos e almas, mas as mãos são precisas para segurar os guarda-chuvas que nos abrigam de um amor improvável. Provavelmente, esse amor cairia molhado junto com as gélidas e pesadas gotas de água que escorregam das nuvens (...)

VIDA DE POMBO

18.01.21, Sandra
Pousaste as tuas interrogações. Averiguas sombras e recantos nos quais irás recolher os sonhos que ainda não tiveste. Contas minutos e decides ser ainda cedo. Voas nas tuas cores até onde o sol canta alegre e descansas o teu voo. Olhas o jardim que é teu, onde as flores sabem o teu nome e os ramos altos das árvores de fruto te acolhem dia após dia. As gentes passeiam-se por caminhos onde se cruzam com outros como tu, alheios às marés distantes e esquivos à pressa das (...)

SENTA-TE

17.01.21, Sandra
Vem sentar-te comigo ao sol. Vamos deixar o calor evaporar dos nossos corpos as horas passadas e as ideias esquecidas nalguma curva apertada. Senta-te comigo e deixemos as perguntas sob a areia quente onde o sal experimentou o horizonte distante que fala de desconhecidos mares e destemidos corsários de outros tempos. O mar despe-se á nossa frente, pleno das lendas que sereias deixaram quando a fase da lua mudou, e solta-nos amarras na sonolência do calor que nos desperta. Falemos (...)

BUSCA PELO NOME

15.01.21, Sandra
Tens pairado por aqui e por ali, alheia aos perfumes das gentes, aos cães que correm rua abaixo, aos comboios que sonham sobre o silêncio dos carris. Conversaste com todas as flores do campo e dormitaste no jardim bem cuidado. Viste a manhã chegar sobre os casebres dos caseiros e sentiste o aroma do musgo que cobria a água negra dos antigos tanques de lavar roupa. Certa manhã morna, viste o teu reflexo numa poça de água que ficou depois da chuva caída durante a noite e quiseste (...)

ESPERANÇA

14.01.21, Sandra
A manhã sentou-se a meu lado. Encheu-me de vagares e fez-me todas as promessas do mundo. Falou-me de fé, enquanto a dourada claridade me acolhia doce, no seu colo. No calor do dia que se revelava e despertava em brilhos o campo ao meu redor, certezas tornavam-se inabaláveis. E a manhã falou-me de ti. Escutei-a nessa luz dourada que me abraçava em sorrisos. Disse-me que te conhecia desde as primeiras letras desenhadas pelo Homem na terra agreste e dura de outrora, quando cometas (...)

ALTIVO

12.01.21, Sandra
E ali estavas tu, olhando-me de frente, fim de tarde altivo, resplandecente, presente. Vislumbrei-te ao longe, e aproximei-me para te ver melhor. Sondei-te nas silhuetas escuras do dia que estava prestes a adormecer, e recebi-te no contraste dos ecos de palavras adormecidas também. E fiquei. Demorei-me no teu mistério, semblante de cores flutuantes que desciam em camadas lascivas no crepúsculo pendente. Um enquadramento perfeito de memórias vindas do tempo em que os homens planeavam (...)

EM MIM

11.01.21, Sandra
Repousa em mim, luz que o sol liberta ao dia. Recebo-te em júbilo, a ti, luz que desce sempre feita mistério, manhã após manhã. Pousa suavemente nesta minha pele que, sem entraves, te espera desde o clarear dos céus. Aquece-me suavemente como beijos que se dão e acaricia-me como a aurora acaricia os campos nus em orvalho puro. Fica em mim, luz. Abraça-me na tua claridade enquanto os lençóis estão quentes e nesse teu calor, luz que quero minha, deixa-me abraçar-te também! Como (...)