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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria, uns mais atuais que outros. Todos com fundo real. Imagens retiradas da internet. | Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Textos de minha autoria, uns mais atuais que outros. Todos com fundo real. Imagens retiradas da internet. | Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Sílabas à Solta

20
Nov20

A IDADE DO ESPANTO

Sandra

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São coloridos acordares
Nestas manhãs
Feitas dos sorrisos
Que, rindo, caem do sol,
E nuvens macias
Trocam segredos
No leito nu e morno
Do céu esquecido de acordar.

Na extensão dos secos prados
Descansam bravas, dóceis,
Ervas douradas e ondulantes;
Conversam com Deuses
Que se passeiam, altivos
Pela brisa cálida, de veludo.
Em praias distantes
De vastos areais
E eruditas, negras rochas,
Gaivotas compõem
Os murmúrios que o mar
Há-de ondular em calmas marés...
E o Mundo,
Aos poucos, desperta,
Espreguiça-se devagar,
Sacode bravos desertos,
As mais altas montanhas
Os grandes rios do mundo
As florestas mais densas.

E pousa, em esquecidas enseadas,
O Tempo sublime
Que sem pressa
Recria histórias
Reinventa trajetos
Embala a humanidade!
É este o momento,
A idade do espanto,
Em que me entrego
Sem incógnitas
A coloridas manhãs
Em todo o macio calor
Da nudez dos meus sentidos.

17
Nov20

BRUMA

Sandra

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Ainda é cedo mas já não sinto sono. Ou melhor, já não quero dormir mais, hoje isso não me diz nada! Mais uma manhã de névoa. Há seis dias que tem sido assim, no silêncio da manhã ou no embalo da noite calada: uma névoa branca, húmida, cerrada, que atenua a figura das árvores, candeeiros de rua, casas, carros que passam cautelosos. Hoje, tal como desde há seis dias para cá, não consigo ver da minha janela o mar lá ao fundo, a linha do horizonte, e para lá dela, as terras da outra margem. Tal como não me é possível ver a serra de Sintra, coroada pelo seu nostálgico Palácio. Só névoa. Que, estranhamente, surgiu e tem-se mantido, desde o dia em que definiste as tuas analises e certezas. Tuas. Na névoa, vejo-te, sinto-te. Não és tu o Senhor da Bruma? Sabes que sou de pressentimentos, e se sou, é porque todos eles têm-se revelado certos. Tu sabes, definiste o meu mapa. Balança pura. E a na névoa que me rodeia, pressinto-te chegado a mim. Não hoje mas num amanhã nada distante, que contraria números teus. Sinto-me tranquila. Hoje o dia é meu. Vou começar com aquele banho quente, demorado e relaxante, em que me entrego à fé, à tranquilidade, a mim mesma, ao meu corpo, à minha alma que te quer, sempre. Depois? O café e todas as essas horas que se desnudam à minha frente, completas com as minhas crenças, dúvidas e certezas, as minhas forças e o meu Deus. Horas que serão minhas aliadas e conselheiras, cheias do mistério que é esta névoa lá fora, nas ruas, e cá dentro, na alma. O mistério que és tu, meu amor, grande amor.

16
Nov20

HARAGANO

Sandra

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Gotas de nobres sentimentos
Intensas em silêncio meu
Levam no âmago a tristeza minha...

Sentidos vãos, de futuro despidos, 
Amor que te dou, toda de mim,
Recolho palavras doces tuas
Alegrias puras de outrora!
Imagens de ti, amor, meu amor
Valem todo o peso da noite
Alma tu, que nela habitas.

Horas nobres guardo-as eu
As que contigo sonhei, planeei,
Risos puros, então crentes...
Amor maior, maior ainda mais!
Gravo em mim esse nome teu
Agora que é só tudo o que me resta!
Nunca esmorecerá este sentir puro
O Haragano que não foi meu...

15
Nov20

SEMPRE

Sandra

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Se a lua trespassa estrelas
E na noite, só, entrego-me a elas,
Nada sou mais além que tua, 
Horas soltas, presas ao teu Tempo!
Oiço-te, ecos teus, Haragano,
Ressoam em mim dúvidas tuas.

Dou-te o amor que frágil, sou, e
A noite ecoa este render de alma...

Brilhos de limbos desamparados
Rumam ao firmamento quebrado!
Únicamente amor todo de dou
Mas de ti, meu amor, como o pedir?
Amor te terei; que de darei, sem ti?

14
Nov20

DESERTO MEU

Sandra

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É isto que fica. O deserto, o espaço vazio, que se mostra igual em todas e em qualquer direção. É isto que vejo agora, mesmo que hajam prédios, ruas, gentes, cães. Mesmo que ouça o vento a cruzar as folhas, as ervas, as flores. Mesmo que pise as sombras das árvores, das nuvens que beijam o céu, das aves que gritam no alto, a minha própria sombra. É isto: um deserto que vejo. Em meu redor, e pior, dentro de mim. E mais nada quero. Tomarei esse deserto como meu e amá-lo-ei com a mesma intensidade com que te amo. Pois esse deserto foi criado por ti meu amor, quando afastaste órbitas que finalmente, e apesar dos "apesares", eu estava já a aproximar. As órbitas ocorrem no universo poderoso, imenso. E estavamos lá, nesse universo que seria nosso, enfim. Hoje sou o deserto, e nele, sou pequenina, frágil, desolada e descrente. Com um coração gigante, cheio de tanto amor, este amor por ti, sem nada pedir, sem nada cobrar, apenas a vontade de te dar, de te amar, uma vontade imensurável. Apenas a vontade de ti, de sentir na minha pele, na minha alma, a bruma feita mistério, que és tu, o último dos últimos. Em vão, tudo.

10
Nov20

FOLHEIO-TE

Sandra

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És como livro. Procuro-te na hora calma em todos, cada dia. Quero ler-te, perder-me, nas palavras macias tuas em doce papel, parte de mim, também!

Imagino a tua figura feita a capa que devagar, olho, acaricio. Os sentimentos que, sem saberes, me despertas, são as páginas que devagar folheio, com dedos pousados de calma. E envolvo-me em ti, na forma das letras solitárias como tu, nobres, nessa essência tua, de simplicidade, intensidade. São entrelinhas, desabafos, desejos, memórias, todo o desenrolar de ideias tuas.

A cada nova palavra que de ti cai em sincero sentir, prendo-me eu, mais e mais, submissa sempre a esse mistério, que és tu e que faz de ti obra completa de nobres capítulos que seguro nas mãos e aperto ao peito. És todo esse livro de vivas folhas onde, com simplicidade única, expões sentimentos, todo um lado humano de todos nós. É esse meu lado humano, solitário,
amante da tua escrita, das tuas ideias, que te procura, adora, quer por perto, sempre. Leio-te, assumida fã. 

08
Nov20

POR INTEIRO

Sandra

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O céu está frio. Tons pálidos, desfeitos, destoados. Não há vento mas um ar gélido e húmido cola-se ao meu rosto. O areal cerca-me liso, vazio, quase sem essência. À minha frente, todo um imenso e desolado mar. Sentada na areia, é a ele que me entrego, é nele que me disperso. A luz que sobressai vinda de um apagado céu parece chamar-me, abrir-se a mim como dois braços que se abrem para oferecer um abraço a alguém. Aceito. Respiro fundo e relaxo ainda mais. Um pouco por todo o lado estão pegadas solitárias de gaivotas que já não se vêem. A tarde ainda é jovem. Não há ondas mas um grupo de surfistas embala-se nas suas pranchas que ondulam nas águas paradas. Na zona das rochas, três cães correm e brincam risonhos. Mais lá atrás, jovens jogam às cartas e riem alto. Bebo um pouco do chá que levei num termo e, num instante, sob aquele céu solitário, abstraio-me de tudo, tão descontraída que estou. Fixo a linha do horizonte, que parece tão longe e, ao mesmo tempo, tão perto. Ganho consciência do tanto que está para lá dessa linha. Outros mundos, outras sociedades, outras culturas. Milhões de pessoas, cada uma com as suas rotinas, os seus medos e sonhos, as suas memórias e histórias. Tanta diversidade. Em todas as diferenças que possam existir entre todos os lugares deste nosso mundo, somos iguais uns aos outros. Todos, sem exceção, vivemos guiados pelo instinto, o sentimento e a razão. O lado primitivo de cada um, o coração e o lado racional, numa simbiose perfeita. Para lá do mar que consigo compreender do lugar onde estou sentada, há tanto de diferente quanto de igual - é como se todos os lugares, num só! Penso nas pessoas que atualmente fazem parte da minha vida. E ali, em frente ao mar, sinto-me mais rica, mais completa, mais tranquila que nunca. Está mais frio agora, a fraca luz que me chega só serve para iluminar, não para aquecer. Decido ir acabar a tarde no bar da praia, entre um chocolate quente e um croissant, em paz comigo e com o mundo, o meu mundo, com as suas forças e fragilidades, onde pertenço por inteiro. E onde estás tu também, a quem desejo tanto abraçar!

07
Nov20

DIZ À SAUDADE

Sandra

 

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Se a saudade não souber te encontrar
Quando a lua pede ao sol para amar
Diz à saudade
Que não é tarde
Ainda há tempo para haver tempo
Se a saudade espera com melancolia
Antes de a madrugada dormir fria
Diz à saudade
Que a verdade
É todo um único momento
Se a saudade te falar pela manhã
Do meu amor por ti, esperança vã?
Diz à saudade
Que me amas também
Mesmo que eu nunca venha a saber
Se a saudade te perder pelo caminho
Um teu suspiro ao meu último carinho
Diz à saudade
Que se soube nascer
Saiba também desaparecer...

05
Nov20

ESPIRAL

Sandra

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E o hoje é assim, uma espiral. Está ali, à minha frente, à minha espera. Mostra-se insenta, estática. Não pensa, não escuta, não comunica. Apenas existe, apenas está presente, apenas convida-me a fazer parte de si. E eu sigo nessa espiral, a espiral da vida. Avanço ao meu ritmo, ciente de quem sou, das minhas forças e fraquezas, das minhas capacidades e do que posso desenvolver. Ciente dos meus receios e da minha fé, do meu Deus.

E com a espiral eu fundo-me, sou parte dela, é ela parte de mim. E reencontro-me. Sou. Respiro serenidade, paz, confiança, esperanças. Descubro novas facetas de velhos sentimentos. Abro-me ao mundo, às horas do dia, da noite. Entrego-me às gentes que passam, à chuva plena, às ondas de um teu mar qualquer, às montras, aos caminhos, às nuvens. E sinto, e quero, e recebo tanto do que também dou.

Na espiral encontro a vida, o universo, o pleno sentido, a essência do tudo. Como? Observando, escutando, analisando, meditando. Refletir é preciso. E no fundo, a espiral é isso: reflexão. Onde, quem sabe, te encontre um dia, passeando em passos leves, doces...

04
Nov20

IMENSA NOITE

Sandra

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Sento-me nos degraus de madeira que descem do alpendre. Na noite, expande-se ainda o universo que hoje é  aconchego do teu abraço no meu. As horas há muito que já partiram para outras esferas. Desfizeram-se como poeira cósmica que se eleva ao céu. Deixaram para trás o silêncio, a nobreza da calma, a placidez dos sentidos. Longe vão os ventos e as vozes. Agora ficam só os sons da noite, do embalo, da cadência e da rendição ao infinito, ao mistério que me cerca.

Pressente-se a imensidão cósmica, cheia do tanto que se oferece em todo o seu esplendor, rodas que giram sem nunca parar! Tudo é intenso, poderoso, misterioso, como a tua mão que envolve a minha. Abstraio-me dos passos dados até esse momento e deslumbro-me com a soma dos tremores de milhares de luzes que cobrem todo o firmamento. Só quero esse caminho que me deixa divagar entre colossais estrelas, planetas e galáxias que brilham com toda a força do acreditar sem tempo. É apenas mais uma noite, a noite que me leva a mim mesma, sacode para longe limites e permite-me, por horas, amar livre o sonho que é a vida e o sentir.

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