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Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

Sílabas à Solta

Textos de minha autoria. Imagens retiradas da internet. Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria.

NOITE SÓBRIA

26.12.20, Sandra
  Chamaste-me na noite sóbria quando a brisa calava mundos dentro de nós. O Universo aproximou-se silencioso, deitou-se luminoso em nosso redor, cedendo-nos clarões de imensas estrelas que seriam nossas. No nada, gerou-se tudo, quando sentados no espaço sem caos respiramos as águas macias que nos murmuravam salgados reflexos. Sentados rendidos à maciez do luar sem idade, a tua mão quente envolveu a minha e, no Universo em silêncio, tudo entre nós foi dito. E o mundo brilhou! (...)

COMPREENSÃO

29.11.20, Sandra
O teu nome poderia ser Peregrino. Pelo menos foi assim que te vi naquela noite quente e infinita. Já tudo permanecia longe, no silêncio adormecido: a civilização, as cidades, as suas gentes, os seus cheiros e ruídos. Vi-te de longe. E logo aí senti-te como um Peregrino vindo de todos os lugares. Caminhavas pela areia dura e fresca, devagar mas sem hesitações, até à zona perto da rebentação. Aí paraste e ollhaste à tua volta, devagar, deslumbrado, como que vendo todo um novo (...)

IMENSA NOITE

04.11.20, Sandra
Sento-me nos degraus de madeira que descem do alpendre. Na noite, expande-se ainda o universo que hoje é aconchego do teu abraço no meu. As horas há muito que já partiram para outras esferas. Desfizeram-se como poeira cósmica que se eleva ao céu. Deixaram para trás o silêncio, a nobreza da calma, a placidez dos sentidos. Longe vão os ventos e as vozes. Agora ficam só os sons da noite, do embalo, da cadência e da rendição ao infinito, ao mistério que me cerca. Pressente-se a (...)

MÃO À NOITE

20.10.20, Sandra
Dá-me a tua mão. Deixa-me levar-te lá fora onde a noite se mostra. No horizonte, uma lua cheia sobe magnífica no céu de seda. Uma brisa morna sopra alto para lá dos cumes das serras embaladas na imensidão, onde as aves dormem das horas passadas. As águas do riacho repousam frescas e brilhantes sob um luar imenso que ilumina o silêncio escuro dos cantos, campos, casas, ruas, pontes. Há tanto que queria dizer-te... deixa-me falar-te baixinho de tudo e de nada. Lua cheia. O Tempo (...)

APELO

12.10.20, Sandra
O sono faz-se presente mas não quero dormir. Sinto lá fora o apelo da noite. Baixinho, quase inaudível. Leve, discreto, solene. Nunca consigo negar-me quando esse chamamento se faz ouvir. A imensidão do universo que se pressente para lá do visível devora-me a alma. Não é só o céu escuro onde estrelas se abandonam à lua. É tudo, tanto mais! Distâncias tremendas entre objetos espaciais. Galáxias gigantes que em lentos rodopios varrem espaços cheios do quase nada. Planetas (...)

DESARMADA

26.09.20, Sandra
Viajo no silêncio do tempo ao teu encontro, num espaço que não conheço. Alcanças-me tu, enquanto o universo devagar se expande. És fugitivo cometa que me carrega entre cerradas nebulosas onde estrelas nascem. Fecho os olhos, saboreio golfadas finas de luz. Desarmo em mim forças poderosas quando pressinto a tua respiração que me arrebata nessa viagem. Com a força da gravidade sou elevada a um teu querer, mais antigo que tudo. És feito da mesma luz que atravessa poderosa um (...)

NÃO ME ESQUEÇAS NUNCA

16.09.20, Sandra
Não te esqueças de me lembrar. Não te esqueças de te lembrar que o mesmo céu nos abraça, que o teu sol entrega-se em mim, e que na noite partilhamos estrelas. O mundo avança e nele avançamos juntos. Neste momento, civilizações crescem. Filhos dão os primeiros passos. Namorados dão o primeiro beijo. Olhares trocam-se entre desconhecidos num comboio que segue a alta velocidade. Algures, um médico salva uma vida e um pedreiro sonha em regressar a casa, enquanto contempla cansado (...)