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Sílabas à Solta

Qualquer reprodução dos meus conteúdos deve ser sempre feita com referência à minha autoria | Fotos retiradas da internet

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TELHADOS

05.04.21 | Sandra

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Telhados que se deitam ao sol, abertos ao dia imenso que se estende junto ao rio. Pulsa neles o calor da nova estação, juntamente com o riso do vento que rodopia entre as telhas e os ninhos de andorinha disfarçados sob os beirais. Águas-furtadas deixam voar conversas alegres, e gargalhadas joviais saiem para a rua pelas janelas abertas de par em par. Arrulham os pombos indolentes nos parapeitos onde as roupas perfumadas e alegres abanam nos estendais. Em algumas portadas de madeira com tinta descascada resplandecem vasos de cravos e sardinheiras, cores que saltam da terra seca. Chegam aos telhados o eco dos passos das gentes que percorrem as vielas e o som de uma concertina presa nos dedos de alguém, que canta o amor. E nas sombras dos becos, gatos lambem as patas, de olhos gulosos presos nos pardais que sobem e descem aos telhados, despreocupados. Os ponteiros do relógio arrastam-se, cheios de esperanças, vendo lá ao fundo as embarcações que sulcam devagar as águas paradas do largo rio que namora o céu e a ponte. E o dia decide fazer uma pausa. Junta-se aos telhados quentes, e os dois, em silêncio, de mãos dadas, olham o mundo à sua frente onde a alegria da vida desfila, enquanto lá no alto desolado, um avião risca o azul prometedor do céu distante.

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