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Sílabas à Solta

POESIA | PROSA POÉTICA

Sílabas à Solta

POESIA | PROSA POÉTICA

Flor Gelada

26.11.20 | Sandra

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Cabisbaixa, arrepiada,

Numa densa, branca claridade,

Embrenhas-te silenciosa em ti

Sob o peso da suave geada

Que, como amante,

Se deita no teu corpo nu e frágil.

São gélidas as carícias

Que névoas sem perfume

Deixam abandonadas nas tuas cores desbotadas.

Estremeces mais,

Mais ainda,

E devolves-te calada à inocência de ti mesma,

Esses desejos teus que resistem,

Vergados à hora fria.

Está frio...

A cada branco amanhecer

Do longo, impiedoso inverno,

Sussurras à madrugada inocente

(que se abstrai de ti)

A tua vontade imperiosa de partir em amor ao sol!

E na fé da passagem do tempo

Calas-te paciente ao mundo.

Gelas gestos, palavras, risos,

Na espera de cálidas manhãs que hão-de vir,

O toque de uma brisa quente que te beijará

Para que brilhes cor de novo,

Aberta à vida que te faz ser flor.

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