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Sílabas à Solta

POESIA | PROSA POÉTICA

Sílabas à Solta

POESIA | PROSA POÉTICA

VÊS ESTRELAS?

07.07.21 | Sandra

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Pressinto-te na claridade do céu pleno de estrelas. Talvez neste momento também estejas a olhar para elas. Acima de nós existe todo um outro mundo, imensidões tremendas, espaços negros onde só o aparente vazio existe. Mas enquanto me devolvo à serenidade fresca da noite, sei que há muito mais. Imensas estrelas presas na gravidade de uma galáxia que rodopia pelo espaço sem som. Distâncias incalculáveis onde planetas deambulam nas suas órbitas. Cometas que parecem balas disparadas no vácuo.

A noite é longa, e nada mais é preciso senão eu olhá-la e compreende-la. O vento toca-me devagar o rosto, o pescoço, a nuca. Prendo o  cabelo para melhor sentir esse afago, que tão bem poderia ser um beijo teu. O tempo deixou as suas pegadas perto de nós e partiu. Deixou-nos o obscuro, o oculto, a palavra não dita, o sentimento não pronunciado. Não tenho muito mais para te oferecer senão palavras minhas cheias do amor que é só teu. Nada mais a mostrar-te senão as minhas inquietudes e perceções. Não te darei mais que isso, porque tudo o resto já é teu, já te dei há muito. E o que não dei, é porque é meu, só para mim. 

Talvez tivéssemos caminhado pelos mesmos círculos, quando o universo se quebrava em brilhos e explosões. Talvez tivéssemos olhado um para o outro quando a vida chegou à Terra, antes de se  afastarmos de novo. E agora tens de mim o máximo que eu te posso dar. A noite olha-nos, entre nebulosas e constelações, entre histórias de Deuses ou cantos xamânicos. Nada somos de novo para a noite. Somos apenas dois seres decifráveis, dois, entre milhões. Com fraquezas, forças maiores, dúvidas, certezas, questões, vitórias e desistências. É isso que lembro à noite dispersa, que encontrará ecos nas planícies e cordilheiras onde ventos gélidos sopram com violência, arrastando tudo à sua passagem. Não desistirei de mim. Daí não ter mais do que palavras para te oferecer, daí eu sentir tão bem este momento entre mim e o silêncio do universo acima de todos nós. É nele que me liberto, no reconhecimento de algo imenso, um segredo maior que o mundo e os seus desafios. E a noite sabe do que falo. Talvez tu saibas também, se estiveres a olhar o céu. Quando a noite chegar e as estrelas brilharem, lembrar-te-ás de mim? Seguirás o teu caminho, eu sei, órbitas que passam perto sem se tocarem. Mas farás sempre parte do meu percurso, tu só, mais nenhum outro alguém. Nem podia ser de outro jeito, querido meu. 

2 comentários

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    Sandra

    07.07.21

    Muito bem visto! E tenho a certeza de que todos temos uma estrelinha especial! Boa noite!
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